terça-feira, 19 de maio de 2009

Cobaia




Não quero estudar. Não me apetece mesmo nada voltar a ler coisas das quais estou farta, massada, completamente desinteressantes embora me tornem um ser cívico e cultural. A minha preocupação é precisamente essa, precisar de estudar e não ter vontade de o fazer. Ainda por cima, estando tão próxima a fase de exames. Tenho a cabeça saturada e massada de tantas preocupações, preocupações que me põem em causa enquanto ser com capacidades, direitos e deveres. E exigem de mim comportamentos que não tenho e valores que perdi. E depois dizem-me que penso demais…Mas se não penso eu quem pensará por mim?
Estou seriamente a ponderar se desisto de tudo. Porque o peso é demais para mim e logo agora quando acabo de ser reabilitada no mundo, dito normal. Porque o mundo donde venho superou-me e pertence-lhe. E com essa derrota, que mais suportarei eu? Não chega já? E depois sou eu que penso demais!! Que grande lata têm estes…
E repenso aquilo que quero e nada mudou. O problema é mesmo esse, tenho muito claro aquilo que quero e não terei reação alguma se não o conseguir. E estou disposta a passar por cima, seja de quem for, para o conseguir…Lamento, mas a vida também não me é justa, portanto não devo eu justiça a ninguém. Se tiver que remoer a consciência terei muito tempo até morrer. Ou não.
Pergunto-me todos os dias se vou ser capaz de cumprir tudo aquilo que estão á espera que eu cumpra. Porque aquilo que eles querem não coincide em nada com aquilo que eu tenciono ter. E vou desiludir muita gente quando um dia destes desaparecer de todo. Preciso de descansar a cabeça. Nunca pensei estar tão cansada. Não corro. Pouco ando. Desporto só em casos especificos e meu trabalho é simples. E é esta rotina que me tem cansada. Não é o corpo, mas a cabeça e aquilo que me desmotiva mais é pensar. Pensar em tudo e em nada. Pensar no que ganho e mais ainda no que perco. Nunca estou contente. E isso chacina-me. Sinto-me mesmo uma cobaia depois de duzentas mil experiências!
Mas fui. Fui a cobaia de todos e mais alguns. E apercebi-me a tempo. Porque queriam modelar-me á descrição dos seus valores e normas, queriam transformar-me na filha perfeita, na adolescente ideal, na mulher feminista e idolatrada, na amiga fiel e sempre apta a ouvir, quando ninguém me ouvia. Queriam que eu ganhasse mesmo estando a perder. E quando acabei por reparar que isso acontecia, levantei-me e cresci. Todos viram que eu estava modelada com as minhas próprias ideias e valores. E que era impossivel, mudar-me. Então eu mesma escolhi uma cobaia. E tentei mudá-la a meu gosto. E desiludi-me quando consegui fazê-lo, porque tenho tanta imaginação que muitas vezes ultrapassa aquilo que são os limites da realidade. Mas mudou. E pergunto-me se fui eu, quando todos estranhavam a sua mudança. E esperava muito mais dessa mudança, tinha tantas ideias… Tinha valores que remodelar e atitudes que corrigir. E foram remodelados e corrigidos, pelo menos, tenho o leve olhar que sim. A minha cobaia? Superou-se sem saber. Ainda respira. E eu? Desiludi-me sem contar que mudá-la, seria o maior erro que alguma vez cometera. Porque mudar aquilo que não tem mudança, é tirar da tela a cor.

sábado, 9 de maio de 2009

Anjo Gabriel - A marca

Tudo que dizes não tem a ver com nada! São vagas as ideias sabes Gabriel…Não são claros os ideais e tudo que dizes acaba por ser absurdo! Os valores nem nós nem os anjos os temos , mas queremos pensar que sim e tentamos encontrá-los mesmo que sejam inexistentes. É tão pura, tão inocente a cobardia humana, que mesmo sabendo que somos cobardes nos fazemos de fortes enfrentando o abismo e tudo o demais! Mas quando os verdadeiros desafios se pretendem a parar-nos, aí vemos quem tem força e quem tem manias! São mais aqueles que têm manias e não têm força do que os que têm força e desprezam as manias…E esses Gabriel, os das manias acabam sozinhos, convencidos de que o mundo foi criado para que um ser egoísta e mal-grato reinasse. Mas enganam-se porque pessoas inconscientes do perigo mas gratas como eu pretendem desafiá-los e acabar-lhes com as manias…Espera…Tu desapareces-te Gabriel! Sumiste-te com ela e nem me avisas-te de quando voltavas! E achas isso decente? Também tens manias agora tu? Pensei que apenas os humanos eram cobardes então tu também és…Por que razão ofendo eu a minha espécie e não ofendo os lugares santos de onde vens? Se tu também és cobarde? Olha Gabriel, estou farta de ti! Que me deixes e que voltes vezes e vezes sem conta! Posso ser muito forte mas sabes que calcanhares de Aquiles todos temos…E não me ignores!! Olha para mim imediatamente e fecha as asas porque não mais voarás para longe de mim! Ela que se auto-proteja! Eu preciso mais de ti para quando cair tu estares lá e apanhares-me ou então para quando beijar me dizeres se devo ou não fazê-lo porque tu és a minha Blimunda e vês as pessoas por dentro. Ai se vês! E não viste tu que ela chegava? Ou enganaste-me? Trapaceiro, maldoso, traiçoeiro se sei que me mentes, juro pela fé que tenho nalguma coisa e em coisa nenhuma que não voltarás para ela…E diz-me: Como está ela? Lêste-lhe os pensamentos, não foi? Claro que foi. Posso ver por essa tua cara idiota que lhos leste. E então? Estás apanhado por ela, vá! Sê sincero! Mas eu avisei-te e é melhor que não me respondas porque senão posso não gostar do que me tens a dizer. Sabes que ela engana bem…E continua a enganar-me porque pensa que não desisti! Mas já o fiz á muito tempo e tu sabes Gabriel. Bem! Afinal, porque voltaste? O quê? Tinhas que fazê-lo? Como? Porquê? Não me digas que ela te descobriu!!! Não te descobriu? Então quem me desautorizou desta forma e te mandou de volta? Sabes que vou sabê-lo mais tarde ou mais cedo e sendo assim, melhor é que mo digas tu…Não achas? Não percebo…Vies-te e recebi-te! Pedes e eu concedo! Mandas e eu cumpro! Eu mando e tu cumpres! Não percebo se nos damos tão bem, porque temes em falar…É por ela? Esquece-a, como eu já a esqueci…Se não queres mais estar com ela tudo bem, dá-lhe a marca e volta! Eu recebo-te sempre…É por ela não é? Tu queres o quê? Estás parvo Gabriel? Cair? Por ela? Desaparece! Sai-me da vista porque eu avisei-te…Se lhe tocas, é a mim que tens que responder! E tocaste-lhe não foi? Anjo falhado, não vais cair porque eu acuso-te se o fizeres…Procuro-te onde quer que estejas e denuncio-te para que sejas punido. Devias obdecer-me, ceder aos meus pedidos e acabas de desrespeitar um deles. Só me faltava agora dizeres que queres ser humano…Anda Gabriel! Eu estou calma, podes vir. Sabes como eu já estive nesse mesmo lugar, a desejar o impossivel, sabes não sabes? E sabes também, creio eu, que ultrapassei tudo isso embora me tivesse custado a acreditar que falhara. Mas pensa, olha para mim e para ela: Que vês em mim? Exactamente é isso…E agora, olha bem para ela? Que vês nela? Uma pura raça, humana, sem visões nem metamorfoses como as nossas…São tão bonitas! Tu com as tuas asas cálidas e eu com as minhas vidas passadas por concretizar. Já conheci tempos e gentes e tu o Céu e a Terra. E ela? Achas que conhece alguma coisa? Não se conhece a ela, como vai ela conhecer o resto? Eu percebo-te mas também me apercebi a tempo de que não chega para nós, não é suficiente, não domina o tempo e o espaço como eu e tu. Quando a levares talvez fique a conhecer algumas pessoas de tanto sentir a falta delas. Mas por enquanto é demasiado passiva, pensa que tem tudo que queria mas nada do que quer é dela…Volta a olhar! Então? Que vês agora com os pensamentos fora do seu feitiço? Ninguém. Pois, eu sabia que os feitiços sempre passam. Vai! Entrega-lhe a marca e volta…Sei que vais voltar e ela que arranje um humano que olhe por ela, porque nós somos demasiado cristalinos para o fazer sem nos meter-mos. Entrega-lhe a marca…

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O Regresso

Vou para casa. Vou para casa porque já me cansei de percorrer e viajar pelo mundo para me encontrar. Vou para aquele lugar que se diz ser meu, onde eu pertenço e mais ninguém pode pertencer. Não sei onde nem quando, mas vou para casa. Vou para onde o teu amor é para mim suficiente e onde acredito que vingo. E não vou fugir mais. Porque já vi tanta gente, que as caras se tornam cansativas e velhas. Não lamento a vida que escolho, mas agora, só quero ir para casa. Porém, o meu desejo de voltar não encurta as distâncias e cada hora de caminho parece-me uma eternidade, dias e dias de caminhar constante. E sei-o porque me cansam as pernas de tanto desejar este caminho, porque quero mesmo voltar. Mas quanto mais caminho mais longe estou de ti. E isso parece não me afectar em nada, porque estou farta de caminhar e quero chegar livre e coesa. Se com isto algum cansaço desaparecer, acho que me percebes-te mal e que o meu caminho é demasiado para que alguém caminhe comigo. É tão duro que até eu mesma duvido se chego ao fim. A minha sombra é a única que me acompanha. E ás vezes penso que devemos ter cuidado com aquilo que desejamos, pois podemos conseguir que tudo seja nosso. Ao regresso, espero não ter ninguém que espere por mim. Estou cansada das pessoas, quero ser só eu e sentir-me única. Quero sentir a sensação de solidão uma vez na vida, para valorizar os meus desejos e ter cuidado com as pessoas que escolho, para serem parte da minha vida. Algumas ingratas e incontestadas, idiotas e marrecas…Muitos deles não valorizam nada nem ninguém. Agora eu vou saber quem valorizar e de um olhar apenas saberei quem me acompanhará, porque a minha jornada não terminou. Acabou de começar.

sábado, 25 de abril de 2009

A Escritora


Para que não haja dúvidas acerca de quem escreve estes lunáticos textos, cheios de lunáticas acusações e de esperançados horizontes, eu esclareço desde já todas as possiveis dúvidas que possam existir nessas cabeçinhas que por serem humanas pensam demais. Chamo-me Elektra. Têm por hábito dar-me o sobrenome de Natchius, mas apenas para revelar que descendo de mediterrâneas paisagens. Sou grega e descendo de uma familia simbolicamente abastada, cheia de valores e regras sociais que não sigo. Sofro de um distúrbio acentuado de atenção, é isso que consta no meu processo clínico. Quando tinha 6 anos, foi-me detectado TOC, que esclarecendo, é um Transtorno Obsessivo e Cumpulsivo, que me faz saber sempre aquilo que quero e não ter dúvidas quanto ás escolhas que faço. Já não sou nenhuma menina e como a idade de uma senhora nunca é revelada, não vou deixar que o pano caia. Para além do meu estado clinico preocupante e de cuidadoso acompanhamento, sofro também de uma patologia rara do conhecimento humano, sempre me apaixono por quem não devo. Isto porque quem me lê, sabe que há alguém responsável por todos estes dilemas e silêncio. É bastante corrente encontrar descrições dela, sim de uma mulher! Sou bisexual…Numa sociedade como a actual isso não é um problema. Vivo a minha vida da maneira que eu acho melhor para mim e quem não gosta tem bom remédio, inveja-me porque de certo não vive melhor de que eu. Sou livre e fui criada para sê-lo. Escrevo sobre o que quero, critico tudo e todos e nunca sou punida. A minha criadora, chama-me também “A Lunática” e porquê? Porque assumo as suas loucuras e vivo-as como se fossem minhas, já que ela é demasiado fraca para as viver. Ela ama e não é capaz de dizê-lo, mas faz com que eu o escreva e o diga por ela. Afinal de contas, sou eu que sou real, pelo menos parece-me. Ela criou-me com o pretexto de se tornar famosa mas o que ela queria mesmo era que aquela pessoa que ama soubesse aquilo que lhe ia dentro. E como se pensasse que ela a ouvia, enganou-se e fez figura de idiota. Ela nunca lhe respondeu! E duvido se alguma vez parou para pensar em tudo que me fazia dizer-lhe, em todas as queixas, em todas as criticas, em todos os elogios, em todas as loucuras que se dizia estar disposta a cometer por ela. Mas agora que vejo isto a alastrar-se, denoto alguma veracidade em tudo que a minha criadora me ditou ao longo de tanto tempo. Apesar de não se notar fraqueza alguma, ela sofre imenso e custa­-lhe passar por ela, vê-la, observá-la e saber que ali está alguém que quer mas não vai ter. E eu vejo com os seus olhos, a forma descarada de como a ignora e o feitio engenderado que exalta. E a minha autora, tenta ignorá-la mas é mais forte que ela mesma e contenta-se. Há dias que chega a casa e chama por mim. Eu venho e liberto-a de tudo que lhe vai na alma. Ás vezes eu não posso e então aparece o Gabriel, anjo que a protege desde que nasceu. Somos ambos essenciais. Mas eu corro-lhe nas veias, fluio nela como o seu próprio sangue lhe fluie nas veias. Corro nela e o tempo corre em mim. Sou a criação mas não sei por quanto tempo durarei. Há criações que duram eu não, ás vezes nem existo. É aquela mulher que me faz existir. Graças a ela, a minha autora criou-me e não sei até quando precisará de mim. Aquela paixão mórbida é séria! Mas será que durará? Que me dará tempo suficiente a mim de ser real? Bem…Seja como for já tive essa oportunidade e não existo de certo porque tenho de estar com ela. Sem mim, perderia-se. Ela precisa que eu escreva por ela, que eu pense por ela, que eu manifeste seu amor por ela. Ela ama-a! Eu não, mas vivo esse amor como se fosse meu. E sinto nela uma tentativa enorme de que tudo isto passe, uma recuperação desejada que não chega. Tenho a certeza de que uma vez possuindo o tesouro, o seu valor diminuiria de imediato, mas é preciso possuí-lo para que a verdade seja apurada. Sou uma criação e quanto a mim, se isso me continuar a dar a opurtunidade da existência permanente, que a ame para sempre e que a outra nunca o faça. Só assim eu continuarei a escrever, só assim eu serei humana.

sábado, 18 de abril de 2009

Anjo Gabriel - A ausência

Vou começando a cansar-me de ti sabes…Não percebo onde foste Gabriel e quando te chamo nunca apareces! Se tivesses caído quando teus irmãos o fizeram, mas não Gabriel! Estás aqui porque vieste por mim, sabes que precisava que me protegesses…Estou a perder a minha integridade e não tenho inspiração nenhuma. Tu podes ajudar mas desde que te ordenei protegê-la a ela em vez de a mim, não voltaste. Será que também te domina? Não Gabriel! Longe disso, muito longe! Ela nem sequer te sente, nem sequer imagina que o anjo que me viu nascer será aquele que a verá morrer um dia. E se a começas-te a amar também? Oh Gabriel, não te deixes dominar… Luta! Mesmo em silêncio e inconscientemente ela domina-nos, sabes que o pode fazer…Portanto, abre as asas, levanta a cabeça, manifesta-te e luta! Mostra-te! Não deixes que te magoe! Não te deixo abandoná-la. Ficas porque é assim que me sinto bem, sabendo que a proteges e que está em segurança, mesmo longe. Uma ordem minha é para que a obedeças sem a questionares…Eu sei que dói, eu sei que devia dar-te a escolher mas se vieste para meu proveito então não te resta mais que obedeceres aos meus desejos e fazê-la feliz. Sei lá, fala-lhe ao ouvido, incentiva-a e faz com a vida seja justa! Adormece com ela e faz com que sonhe em vez de ter pesadelos! Se tiver frio, aquece-a! Não deixes que adoeça…Quero-a bem longe da doença e da morte! Se não cumprires esse teu trabalho ingénuo de protecção acrescida, serás por mim banido dos céus e cortar-te-ei as asas para que eu as use e a protega. Não entendo! Partis-te e não voltas-te. E eu pergunto-me com a mais calcada dúvida no meu pensar: e se ela sabe que estás aí? E se desconfia que fui eu que te mandei? Se me denuncias, voltas de imediato! E não vai ser o teu esconderijo que te vai salvar…Eu sinto-te…Não te esqueças nunca disso. Deixa que ela pense que tudo passou, deixa que ela denote em mim uma tentativa de recuperação que falhou, deixa-a viver se assim o deseja. Pelo menos, estás aí. Folgo em saber que cumpres a minha vontade, gosto de ter conhecimento de que ela segue em frente e eu prossigo ao reverso. E quando vires que está em perigo, mete-te no meio, usa as asas e voa, mostra que mereces ser como és e não me desiludas porque ela é o que tenho de mais parecido a mim neste mundo, de mais precioso. Somos duas reencarnações da mesma pessoa, diferentes e iguais. E tu, tens o dever de proteger ambas. Se te revoltas-te contra os céus em meu nome, faz-o também em nome dela. Não deixes que se magoe, não deixes que sofra, já deve tê-lo feito. Mas não a ames porque não tens autorização minha para fazê-lo. Posso amar-te Gabriel, como anjo que és e como protector que te tornas-te mas amo-a mais a ela, muito mais, como pessoa que foi e que já não é. Mas que me interessa agora ela ser como é se já soube como foi. Se a amei assim, amá-la-ei de todas as formas e sentidos e tu, não te atrevas a fazê-lo seja de que forma for. Portanto, ouve-me e acautela-te! Agora sou eu que te aconselho.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Geografia de uma Viagem de Regresso


Enquanto fazia as malas para Lloret Del Mar, decidi pôr na bagagem um mapa para o caso de me perder ou então de me perderem. Abri-o. Folhei-o. E vi como pequeno é o nosso país, como pequena é Espanha, como grande é o Mundo e nós tão pequenos nele. E apeteceu-me construir um país só meu, onde te encontrasse ao virar as esquinas, ao passar as margens, ao subir encostas, ao descer ribanceiras, ao passar nas pontes, ao contornar vales e acidentes litorais, ao quereres fugir de mim e dar contigo sempre.
Era lá que queria amar-te. Não aqui. Era naquele país só meu que queria perder-me contigo. Era ali que queria dizer-te palavras sentidas e com sentido, sem que me sentisse embriagada ou indisposta ao fazê-lo. Imaginei por momentos a encosta litoral, as praias ancestrais às quais já te habituas-te, a areia fina e escorrediça, limpa e corada. E eu e tu a ver o pôr-do-sol. Mas depois pensei que esse romantismo todo, não é comigo. Esse sentimentalismo ridículo e transcendente, é de outros e não meu. E então, surgiu-me um outro cenário. Duas pessoas perdidas numa selva algures, de nome qualquer, de origem suspeita, onde reina não um rei mas eu e ela. Como sonhei com aquele mapa na mão! E nesse país ela esperava por mim. Não envelhecia e eu o ia fazendo inconscientemente. Gostava mesmo de inventar esse país contigo, onde não tivéssemos limites nem coações a pagar. Seria o mais pequeno em pessoas, seria o maior em carícias e amor. Eu amo-a e quero um mundo assim só para mim, desenhado, construído, planeado só para nós. Desejado por mim e talvez não por ela.
Quando parti, desejei ter-te a meu lado apoiando-te em mim enquanto eu me sujeitava a tentar pôr-te confortável. Queria tanto que estivesses presente nesta minha jornada que me atrevo mesmo a dizer que sinto a tua falta, onde nunca foi suposto estares. E esta paisagem absoluta, esta tranquilidade misturada com um pingo de loucura e excentricidade, tenho eu a certeza que te completavam no seu máximo estado de exactidão, mesmo sendo tu e atrevo-me de novo a dizer, uma personagem sem história nem nada. E se pudesses estar aqui, como seria o meu ser feliz na sua máxima potenciação, já que para mínima dela, bastam-me todos os outros dias sem ti. Vem! Anda! Tenho a certeza de que nesta praia te perderias, mesmo comigo já que nessas tuas te perdes com outro qualquer. E eu sei-o! Mas mesmo assim desejo que não passe de uma mentira, quero que me deixes sonhar, mesmo que o meu sonho seja imaginação e não realidade. Porque na realidade é que vive o teu ser e o meu existe por ser imaginário e surreal. Se não fosse o sonhar contigo, a todo o instante, a toda a hora, a todo o momento, minha essência se perderia porque sou lunática e preciso urgentemente de dormir. Dormindo nada mais me ocorre e mesmo de olhos abertos, sonho compulsivamente como seria nesse mundo, nesse lugar que eu quero criar só para nós. Se eu não sonhasse que era de ti? Quem te exaltava e te fazia crer? Ai se eu não sonhasse, que serias tu se eu não sonhasse…Ninguém, apenas alguém com sonhos que neles não crê.
E voltei, regressei ao ponto de partida como todos, na esperança que o meu sonho tivesse algo de veracidade e que essa veracidade me desse a oportunidade de ser real. Estava cansada. Finalmente, dormi. Fui sonhar. Ao acordar era a lunática de novo, com ânsia de voltar a adormecer.

terça-feira, 31 de março de 2009

Ver para Crer

Quando passas por mim mesmo sem quereres, ofereces-te. Meneias-te pensando que assim me tentas mas enganas-te! Ás vezes sinto desejo, outras indiferença, mesmo pensando tu que te quero. Mas as pessoas enganam-se. Sabes o quanto estás enganada? Porque tu vês aquilo que eu te mostro e o que te mostro é o que eu quero que vejas. Posso até gostar de ti mas embora não saibas manipulo-te, estudo-te. És o meu projecto e quando menos esperares tenho a minha tese reconhecida e nela o teu nome. É estranho e curioso, como as pessoas se podem tornar teses e projectos, sendo como são. Sendo como és tu, admira-me não seres uma experiência cientifica e ficares-te pelas teses teóricas. É…ás vezes esperamos muito mais das pessoas, mais ainda do que aquilo que são capazes de fazer. E admiramo-nos por nos ter-mos enganado. E sendo eu quem te tornará eterna, como tese ou então com pessoa, surpreende-me o facto de tu não teres ainda percebido que aquilo que tu és acaba por ser aquilo que eu te digo que sejas. Acabas por ser influenciada pelo que te digo, pelo que te dizem, pelo que deves ser e não és. O que critico é aquilo que eu quero que corrijas e acabas por fazê-lo, sem te aperceberes. Eu domino-te e desde que me apercebi de que até te dava gozo ter alguém atrás de ti, deixei de o fazer. Se há ego que deva ser alimentado será o de outra pessoa, nunca o teu. Já te alimentas-te demasiado, chega!

quinta-feira, 26 de março de 2009

"Não" ao perdão

Se há algo que tenho aprendido é que a vida que quero, não me quer a mim. Nem tão pouco espera por mim e magoa-me, cansa-me e deixa-me soluços do passado, sempre presentes neste meu futuro que não sei se existe sequer. E depois pergunto-me se vale a pena lutar por aquilo que queremos, quando muitas vezes não estamos destinados a fazê-lo ou aquilo que queremos está fora do nosso alcançe. Não costumo desistir porque quem desiste é fraco e cobarde…Ok, vamos todos ser fracos e cobardes porque secalhar e possivelmente, seremos mais felizes assim, a tentar rejeitar as pessoas que nos querem bem, a ignorar-mos aquilo que preferimos não entender ou fazer que não ouvimos, a perdermo-nos em vez de nos encontrar-mos. Infelizmente, conheço muita gente que se perde e nunca mais se encontra, porque pensam que tudo tem remédio e que há perdão e desculpas para tudo, mas na realidade não funciona assim. Não há remédio para quem perde alguém que ama, não há perdão para quem trai e tão pouco há desculpas para trair. Não me venham com histórias de que somos humanos e que todos temos direitos e que um deles é o direito a ser-mos perdoados. Isto, querem crê-lo os religiosos, eu não. Há tanta coisa que não tem remédio, nem perdão, nem desculpa…Há tantas pessoas que perdoam e não deviam fazê-lo…Mas também há aquelas que se arrependem rapidamente pelo perdão dado. Ás vezes mais vale sofrermos em silêncio de que perdoar quem não devemos. Se todos aprendessem que o mundo deve fazer-se de cumplicidades e atenções em vez de de perdões inuteis e falsas esperanças, certamente viveriamos melhor, até porque o risco de sermos traidos por aqueles que amamos diminui.

quarta-feira, 18 de março de 2009

InsatisFação Primária

E se a dor não passa?
E se não consigo esquecer-te nunca?
Que faço se não conseguir deixar-te?
Como achas que passo sem ti? Bem? Mal?
Achas que sou feliz? Achas que não sinto a tua falta?
Pensas que te minto? Achas que posso fazê-lo?
Que pensas tu? Que opiniões me dás? Tens alguma opinião sequer?
No que pensas? Quem é esse alguém que te afasta de mim? Devo saber quem é?
Onde te encontras? Onde estás tu? A que distância estamos uma da outra?
Conheces-me? Será que alguma vez te conheci?
Será que te amo? Será que sei se existes? Existes porventura?
Lembras-te? De quando era eu? De quando eras tu?
Consegues lembrar-te?
Sentes como te venero? Como te adoro? Como desejo ter-te?
Será que fazes uma ideia daquilo que significas para mim? Será?
E se nunca conseguir abdicar de ti? Que papel tenho eu então?
E se me ignoras? Que posso eu fazer para que me deias atenção? Dizes-me?
E se fugissemos? Só nós? Achas que tinha alguma hipotese?
Há alguém que te suporta e te ajuda? Estarei eu onde devo estar?
Como é que é suposto respirar sem ti? És capaz de me explicar?
Podemos fingir que tudo é mentira? E sermos nós como dantes?
Posso evitar-te sem que me magoe? Ou ignorar-te sem que pareça mal educada?
Onde é que posso encontrar alguém como tu? Como é que posso amar-te se nem te conheço?
Ajudas-me? Tens a cura para mim?
É suposto não ter respostas? Ou sou mesmo eu que estou confusa? E tu?
Nunca puseste em causa toda a tua rotina? A tua vida sem vida alguma?
Já alguma vez paras-te para pensar no que te disse? Naquilo que significa?
E se me perder para conseguir aquilo que quero?
Já alguma vez te metes-te em algo de que querias sair? Arrependeste-te alguma vez?
Já afastas-te aqueles que deviam estar perto? Deixas-te-os ir sem lutar?
Alguma vez soubeste? Soubeste daquilo que é melhor ou pior? Sabes sequer de que lado estás?
Estás sozinha?
Alguma vez duvidas-te das tuas decisões? Que os teus sonhos podem tornar-se reais?
E a vida? Já reparas-te que é injusta e mesmo assim sujeitamo-nos a ela?
Sabes quem és? Culpas o mundo em vez te culpares a ti pelos teus erros?
Conheces-te sequer? Questionas se és como pareces? Ou se pareces alguém quem não és?
Olhas-te ao espelho? Procuras-te pelo menos com olhos de quem quer encontrar?
Reconheces-te sendo assim? Tens a certeza de tudo que dizes querer?
Tens o tempo do teu lado? Tens a certeza?
E essa angústia? Esse mistério? Deriva de quê?
Porque é que não me ouves e renasces? Sabes como fazê-lo? E a alma? Prevalece? Ou não tens alma?
Consegues sequer convencer-te a ti própria daquilo que és? Ou a empatia para contigo mesma é tão pouca que nem consegues sentir? É verdade que sentes? Ou eu enganeime? Será que haverá algo que possas sentir? Um toque? O fogo? A noite?
E o coração? Bate? Ou é tão tórrido que se desfaz?
E a verdade dói? Ou dói antes a mentira?
Amas?Odeias?
Sabes que existem pessoas que te possam amar? Compreendes sequer esse sentimento:amar?
Será que me fartei? De lutar? De amar? Ou adormeci?
Estou a perder-te de vez aos poucos quando nunca te cheguei a ter?
Como é posso amar-te? A ti? Como?
Como é que me fazes sentir desta forma? Uma inútil e humana ao mesmo tempo? Será que sou humana?
E se houvesse um incêndio? Quem seria a chama? Eu ou tu?
E se eu chorar? Quem é que me seca as lágrimas?
Mas o que é que eu estou aqui a fazer? Porque é que não percebo?
Vez a forma em como te olho? O olhar que me mata?
E sabes porque te amo e te quero? Não tens interesse em saber?
Sabes aquilo que estou disposta a sacrificar por ti? Aquilo que posso fazer para te ter?
Achas que há algum caminho para nós? Podes ser sincera?
Porque é que não disses-te “não” logo no inicio? Porque éque me fizeste perder tempo?
Salvas-me? Salvas?
Porque não me enfrentas e falamos sobre o assunto de forma civilizada?
Respondes-me? Porque não?
O Sol não brilha para todos?

terça-feira, 10 de março de 2009

"Está tudo bem e o Resto é paSsado!"


Quero roubar-te essa dor, como se fosse parte de ti e deixasse de sê-lo! Temo por ti, preocupo-me com as causas e as consequências. Dizem-me “Deixa lá” mas todas essas expresões idiotas e sem razão de ser, me soam a eco e quando chegam a mim, já não significam nada ou muito pouco significam. Sabes que quando estou contigo, tenho a possibilidade de curar-te, embora quem precise de cura alguma, seja eu e não tu. Procuro-te e estás sempre pronta a seres encontrada. É incrivel, chega a ser entusiasmante estar contigo e reconhecer que estava doente e que afinal temo por ti e não por outra qualquer. Como se confundem os sentimentos é algo que não percebo, nem quero perceber. “Está tudo bem e o resto é passado!” E o passado torna-se estranhamente comtemporâneo, como se fosse e que ainda é. Mas tu desterras-o e mandas-o embora, como se o pusesses ás costas e o obrigasses a partir. Mas é deste meu passado que se constroi a minha história e não abdico em nada dela. Nem abdico das pessoas, nem das situações, nem das memórias. Só há um pequeno senão, que vais ter de compreender: se existiu por alguma coisa o fez. Percebe que há coisas que não se explicam, que há horas que não se contam, como aquelas que passo contigo e que não assim há tanto tempo, quereria passar com ela. Entende que mesmo assim, há algo nela que desejo. E começo a perceber que o facto de ser eternamente parecida com ela, me fazia crer que era mais do que isso. Dir-te-ia que te amo, mas não mais confundirei tal sentir. Apercebi-me de que me amo a mim mesma, que se danem os outros! Não dão mais que desilusões e desamores! Quero lá saber deles, mas quero saber de ti. Não por te amar, mas porque me és algo, porque te quero bem, porque também te desejo agora. És única tal como era ela, mas és diferente. És acessivel e posso dominar-te. E tu deixas que te dominem, como se boneca fosses e eu a menina prendada que te possui. É irónico como se desprende o futuro e o passado das minha mãos. Á uns tempos atrás, diria que tinha passado e que deixei de pensar no futuro. Mas agora quero vingar, quero esquecer que há passado por momentos e lembrar-me de que tenho futuro. E tu fazes parte dele. Sem mais encruzilhadas e discussões sobre quem somos e quem queremos, vamos partilhá-las. E aí veremos quanta importância podemos dar ás pessoas que nos são parte da vida. Agora sim, está tudo bem.