terça-feira, 7 de julho de 2009

Grandes pessoas, Grandes mudanças



Vamos pessoal!! Agora que saíram as notas dos exames tudo rumo ao ensino superior para fazer-mos furor pelo mundo e alcançar-mos o estatuto que tanto desejamos… Ás vezes aquilo que desejamos desilude-nos como cabeçada na parede. Tanto tempo a estudar, tantos trabalhos e teses de mestrado para quê, se continuamos a ser míseros e mortais. Como se algum dia alguém se pudesse tornar imortal…!
Mas até nos dá gozo chegar-mos ali e dizer-mos “Passei!”. Vi nalgumas caras a mais simples realização que um ser humano pode ter mas mesmo assim essa simples e mísera realização fazia-os felizes. Se algum dia chegarem a realizar-se por completo então não haverá tristeza nem nada que falte durante toda a vida.
Mas todo aquele furor e sentimentalidade passa nos minutos seguintes. Se têm motivos para chorar, choram. Se têm razões para sorrir, sorriem. É simples. É tudo lógica. E quando vêem as noticias á noite durante a hora de jantar (como se não houvesse mais nada que fazer senão prestar atenção a TV), pensam seriamente: Acabei o Ensino Secundário e agora? Pois…E agora pergunto eu!!! Onde Diabo vai haver vagas para tanto aluno que se quer formar e ser independente? Onde raio há empregos para os que se formam, se tudo que se vê na TV é desemprego e mais desemprego?? Sinceramente, ás vezes pergunto-me porque razão andei eu 12 anos a estudar se o mais provável é tirar um curso e nem ter emprego…
É o país que temos!!Défice, impostos, desemprego, tudo a subir!!! E depois de ver-mos isto temos nós vontade de lutar por alguma coisa se o mais provável é perdermos todas as batalhas?
Politicos corruptos sem cursos decentes, ministras idiotas sem ética nem moral, leis que não fazem sentido…É tudo a nosso favor!!E pobres daqueles que tiram os cursos e vão lavar escadas ou vender na praça…É triste ver o país neste caos apoteótico…Mas que vou eu sozinha fazer se ninguém está do meu lado? Os que lá estão não saem de lá…Se não saem, têm que sair!!A bem ou a mal…Se já se viu um país tão ignorante, tão inútil, tão fraco, tão pobre…Quase que somos país de terceiro mundo!!E os de terceiro passam para quatro num instante.
E volto-me a interrogar: E agora? Tiro um curso e na melhor das hipoteses fico a servir á mesa ou se a Sorte estiver do meu lado, tenho o emprego que sempre sonhei e morro a saber que vinguei num país de merda!!! Pois é assim pessoal, abram os olhos ou estamos muito mal…Matem-nos! Esquartejam-nos! Queimem-nos! Não fazem falta nenhuma se em vez de ajudarem só complicam…Temos de ser realistas e deixar de ser socráticos porra!! Esse era logo o primeiro a ir para a fogueira!!
Daqui a uns anos, quando olhar para todos aqueles que foram ver os resultados dos exames e vir neles o mesmo sorriso que vi quando avistaram a pauta, então acho que conseguimos mudar alguma coisa…Lutem por se realizarem pois a vida sem objectivos e sonhos não faz sentido! Lutem pelo que mais querem, nem que seja o impossivel…Somos bons, somos grandes pessoas. Mudem-se e mudem tudo a vossa volta porque eu já mudei e vocês? De que estão á espera?????


(“Sorriam á vida e pode ser que ela vos retribua com um arco-íris.”)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Estou aqui


Não posso deixar-te partir. Fugir de mim. És parte de mim agora, tenho o sabor dos teus lábios, o aroma do teu cabelo, o sentir do teu toque, o teu olhar que me pertence. E não quero saber qual é a razão pela qual não podemos estar juntos, pela qual não podemos estar sempre assim, cúmplices. Fecha os olhos. Pede um dejeso e eu faço com que dure para sempre. E se não conseguir pelo menos ter-te-ei a ti. E agora, pulo todas as paredes porque sinto a tua falta.
E diz-me: É uma ilusão aquilo que vivemos ou não passou de um sonho? Porque ilusão e sonho não têm de confundir-se. Se foi sonho, significa que dormia quando tu partiste. Se foi ilusão, então dormia acordada, crente de que somos um só. E enganava-me inconscientemente.
Agarra a minha mão, toma a minha vida mas não para sempre. Não o faças. Para sempre é demais.
Estou aqui, volta se queres voltar. Sabes que te espero, que anseio por realizar esse teu desejo por mais absurdo que seja. E tu, não és demais para mim. Sei que não.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

InvaDida

Sinto-me ultrapassada. Tenho a derrota dentro de mim. Estou cansada. E já nem a Elektra me ajuda. Dantes podia sentir-me ainda. Agora sinto que tudo que se escreve é dela. Fui sendo ultrapassada por uma pessoa que não existe. Pela minha própria criação! Mas devo-lhe o triunfo. Foi ela que me manteve saudável e consciente. Segurou-me na cabeça e nas mãos sempre que caía. E vivi o amor dela em vez do meu. E minha vida foi sendo invertida com a vida dela. Ao contrário dela eu sou real ou sinto que fui uma vez. Agora, a realidade abriu-se e restou um mundo inteligivel no qual eu não posso nem consigo entrar. A minha realidade é a realidade dela agora. É ela que querem, é ela que me comanda.
Não sei se por falta de coragem ou por humilhação, prefiro que o estrelato seja dela e não meu. Porque ela e eu somos a mesma pessoa em versões diferentes. O heterónimo é real , muito mais do que a pessoa que o criou.
Os meus pensamentos são estranhos e confundem-se. Intercalam-se e deixam-me baralhada. Não entendo. Ela sabe lidar com isto. Eu não. E quando ela não está em mim simplesmente penso em não existir. Reduzo-me ao mínimo e escondo-me. Ela roubou-me mas eu deixei que o fizesse. Era ela que devia existir se não existe já. As palavras que ouvem são dela porque eu não tenho intuito suficiente para as escrever. Nem tão pouco para as dizer. E aquele amor dela enlouqueceu-me porque deveras não era meu. Dei-lhe total liberdade em mim, deixei que me explorasse e me libertasse á sua maneira e acabou por enlouquecer-me. E quando me queimo é ela que se queixa, quando me batem é a ela que dói, quando choro são dela as lágrimas, quando escrevo pertencem-lhe os meus pensamentos e recordações.
Não posso reverter o efeito que tem em mim. Não sinto, não penso. Mas queria sentir e pensar. Não me deixa. São dela as sensações. Ela obriga-me a sentir o que não me pertence! E eu não luto. Porque ela é muito mais genuína do que eu, muito mais especial, muito mais procurada, desejada e absolutamente fantástica. Domina várias ciências…É impossivel comparar-me a ela em conhecimento. Fala várias linguas…Discutir com ela não resulta. É assombrosa a capacidade argumentativa que possui e quando lhe digo que se afaste, dá-me mil e uma razões para não o fazer. E então desisto. Á primeira tentativa desisto. Porque sinto que sem ela não conseguirei sobreviver. É o meu refúgio, a minha guarida, a minha sorte e o meu azar. Está cada vez mais dentro de mim e pergunto-me se algum dia decidirá deixar-me. Porque também ela sabe e tem consciência de que é precisa. E como todas as pessoas que são reais, quer triunfar e ser reconhecida.

Elektra Natchius (eu)

terça-feira, 2 de junho de 2009

FrenétiCa

Hoje sinto-me bem, energética, pirada. Sinto-me livre, capaz e soluvel. Gosto de me sentir fresca, aromatizada, em equilibrio. Quero sentir-me sempre ousada, corajosa e empática como hoje. Estou feliz. Estou satisfeita. Sinto-me realizada e orgulhosa por ser como sou. Sinto pena por todos e alegria por alguns. Hoje quero viver. Nunca morrer. Quero andar, correr e correr e dançar. Estou ansiosa e excitada. Estou calma e serena. Hoje sou eu e não aquilo que os outros querem que eu seja. E nada do que me possam fazer me afectará. Estou feliz. Estranho-me. Sinto-me compreendida e desejada. Sinto que me odeiam e que por isso sou importante. Apercebo-me de que me fogem e isso é muito bom porque quem me foge é quem não me faz falta. Estou poderosa. Tenho tudo para ser bem sucedida. Agora tenho tudo. Sei que tenho. Sinto-me desafiada pela vida, que me convida a vivê-la. Sinto que a minha parte decadente morreu com aquela história idiota que queria viver. Sinto-me uma linha telefónica sem parar. Um raio frenético luminoso. Um livro de histórias surreais. Uma novela de final inesperado. Um mapa que quer conhecer o mundo. Uma pessoa que não mais abdicará de si. Mas mesmo assim as pessoas desiludem-me estando eu no meu êxtase de vida. E fica-lhe tão mal essa atitude rasca e de segunda…
Mas tenho sangue nas veias e preciso de viver. Tenho dias e dias que contar, noites sem dormir e dias acordada. Não sei se me aguento mas ninguém me sabe dizer se sim ou se não portanto, é melhor arriscar! Tenho anos que ter e saudades para matar. Tenho pessoas que perder e pessoas que amar. Tudo tem o seu contraste e tenho mesmo que saber se posso e consigo sobreviver. Tenho tempo e mais que tempo para pular. Já outros morrem de tédios azarentos e de vidas constantemente aborrecidas. Tenho fogo. Eu sou fogo! Tenho vida. Eu respiro vida! Sou jovem…Para quê preocupar-me com idiotices que não fazem mais que desanimar-me? Já agora! Mais nada? Estou farta. Quero a minha vida de volta. Quero exaltar-me e rir e viver. Angústia, dor, sofrimento, amores não correspondidos, pessoas estúpidas e cobardes são constâncias que eliminei de vez da minha vida. Portanto, façam como eu: Não queiram chegar ao ponto que eu cheguei de crucificar a minha existência por alguém que se resume a nada, inútil, cobarde, mais que triste. Fazei ver a essas pessoas que um dia, quando estiverem sozinhas e olharem para o lado, não vão ver mais que a parede que nem sequer as reconforta com um sorriso. A vida dá muitas voltas e sabem que mais? A minha já deu as que tinha a dar.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Cobaia




Não quero estudar. Não me apetece mesmo nada voltar a ler coisas das quais estou farta, massada, completamente desinteressantes embora me tornem um ser cívico e cultural. A minha preocupação é precisamente essa, precisar de estudar e não ter vontade de o fazer. Ainda por cima, estando tão próxima a fase de exames. Tenho a cabeça saturada e massada de tantas preocupações, preocupações que me põem em causa enquanto ser com capacidades, direitos e deveres. E exigem de mim comportamentos que não tenho e valores que perdi. E depois dizem-me que penso demais…Mas se não penso eu quem pensará por mim?
Estou seriamente a ponderar se desisto de tudo. Porque o peso é demais para mim e logo agora quando acabo de ser reabilitada no mundo, dito normal. Porque o mundo donde venho superou-me e pertence-lhe. E com essa derrota, que mais suportarei eu? Não chega já? E depois sou eu que penso demais!! Que grande lata têm estes…
E repenso aquilo que quero e nada mudou. O problema é mesmo esse, tenho muito claro aquilo que quero e não terei reação alguma se não o conseguir. E estou disposta a passar por cima, seja de quem for, para o conseguir…Lamento, mas a vida também não me é justa, portanto não devo eu justiça a ninguém. Se tiver que remoer a consciência terei muito tempo até morrer. Ou não.
Pergunto-me todos os dias se vou ser capaz de cumprir tudo aquilo que estão á espera que eu cumpra. Porque aquilo que eles querem não coincide em nada com aquilo que eu tenciono ter. E vou desiludir muita gente quando um dia destes desaparecer de todo. Preciso de descansar a cabeça. Nunca pensei estar tão cansada. Não corro. Pouco ando. Desporto só em casos especificos e meu trabalho é simples. E é esta rotina que me tem cansada. Não é o corpo, mas a cabeça e aquilo que me desmotiva mais é pensar. Pensar em tudo e em nada. Pensar no que ganho e mais ainda no que perco. Nunca estou contente. E isso chacina-me. Sinto-me mesmo uma cobaia depois de duzentas mil experiências!
Mas fui. Fui a cobaia de todos e mais alguns. E apercebi-me a tempo. Porque queriam modelar-me á descrição dos seus valores e normas, queriam transformar-me na filha perfeita, na adolescente ideal, na mulher feminista e idolatrada, na amiga fiel e sempre apta a ouvir, quando ninguém me ouvia. Queriam que eu ganhasse mesmo estando a perder. E quando acabei por reparar que isso acontecia, levantei-me e cresci. Todos viram que eu estava modelada com as minhas próprias ideias e valores. E que era impossivel, mudar-me. Então eu mesma escolhi uma cobaia. E tentei mudá-la a meu gosto. E desiludi-me quando consegui fazê-lo, porque tenho tanta imaginação que muitas vezes ultrapassa aquilo que são os limites da realidade. Mas mudou. E pergunto-me se fui eu, quando todos estranhavam a sua mudança. E esperava muito mais dessa mudança, tinha tantas ideias… Tinha valores que remodelar e atitudes que corrigir. E foram remodelados e corrigidos, pelo menos, tenho o leve olhar que sim. A minha cobaia? Superou-se sem saber. Ainda respira. E eu? Desiludi-me sem contar que mudá-la, seria o maior erro que alguma vez cometera. Porque mudar aquilo que não tem mudança, é tirar da tela a cor.

sábado, 9 de maio de 2009

Anjo Gabriel - A marca

Tudo que dizes não tem a ver com nada! São vagas as ideias sabes Gabriel…Não são claros os ideais e tudo que dizes acaba por ser absurdo! Os valores nem nós nem os anjos os temos , mas queremos pensar que sim e tentamos encontrá-los mesmo que sejam inexistentes. É tão pura, tão inocente a cobardia humana, que mesmo sabendo que somos cobardes nos fazemos de fortes enfrentando o abismo e tudo o demais! Mas quando os verdadeiros desafios se pretendem a parar-nos, aí vemos quem tem força e quem tem manias! São mais aqueles que têm manias e não têm força do que os que têm força e desprezam as manias…E esses Gabriel, os das manias acabam sozinhos, convencidos de que o mundo foi criado para que um ser egoísta e mal-grato reinasse. Mas enganam-se porque pessoas inconscientes do perigo mas gratas como eu pretendem desafiá-los e acabar-lhes com as manias…Espera…Tu desapareces-te Gabriel! Sumiste-te com ela e nem me avisas-te de quando voltavas! E achas isso decente? Também tens manias agora tu? Pensei que apenas os humanos eram cobardes então tu também és…Por que razão ofendo eu a minha espécie e não ofendo os lugares santos de onde vens? Se tu também és cobarde? Olha Gabriel, estou farta de ti! Que me deixes e que voltes vezes e vezes sem conta! Posso ser muito forte mas sabes que calcanhares de Aquiles todos temos…E não me ignores!! Olha para mim imediatamente e fecha as asas porque não mais voarás para longe de mim! Ela que se auto-proteja! Eu preciso mais de ti para quando cair tu estares lá e apanhares-me ou então para quando beijar me dizeres se devo ou não fazê-lo porque tu és a minha Blimunda e vês as pessoas por dentro. Ai se vês! E não viste tu que ela chegava? Ou enganaste-me? Trapaceiro, maldoso, traiçoeiro se sei que me mentes, juro pela fé que tenho nalguma coisa e em coisa nenhuma que não voltarás para ela…E diz-me: Como está ela? Lêste-lhe os pensamentos, não foi? Claro que foi. Posso ver por essa tua cara idiota que lhos leste. E então? Estás apanhado por ela, vá! Sê sincero! Mas eu avisei-te e é melhor que não me respondas porque senão posso não gostar do que me tens a dizer. Sabes que ela engana bem…E continua a enganar-me porque pensa que não desisti! Mas já o fiz á muito tempo e tu sabes Gabriel. Bem! Afinal, porque voltaste? O quê? Tinhas que fazê-lo? Como? Porquê? Não me digas que ela te descobriu!!! Não te descobriu? Então quem me desautorizou desta forma e te mandou de volta? Sabes que vou sabê-lo mais tarde ou mais cedo e sendo assim, melhor é que mo digas tu…Não achas? Não percebo…Vies-te e recebi-te! Pedes e eu concedo! Mandas e eu cumpro! Eu mando e tu cumpres! Não percebo se nos damos tão bem, porque temes em falar…É por ela? Esquece-a, como eu já a esqueci…Se não queres mais estar com ela tudo bem, dá-lhe a marca e volta! Eu recebo-te sempre…É por ela não é? Tu queres o quê? Estás parvo Gabriel? Cair? Por ela? Desaparece! Sai-me da vista porque eu avisei-te…Se lhe tocas, é a mim que tens que responder! E tocaste-lhe não foi? Anjo falhado, não vais cair porque eu acuso-te se o fizeres…Procuro-te onde quer que estejas e denuncio-te para que sejas punido. Devias obdecer-me, ceder aos meus pedidos e acabas de desrespeitar um deles. Só me faltava agora dizeres que queres ser humano…Anda Gabriel! Eu estou calma, podes vir. Sabes como eu já estive nesse mesmo lugar, a desejar o impossivel, sabes não sabes? E sabes também, creio eu, que ultrapassei tudo isso embora me tivesse custado a acreditar que falhara. Mas pensa, olha para mim e para ela: Que vês em mim? Exactamente é isso…E agora, olha bem para ela? Que vês nela? Uma pura raça, humana, sem visões nem metamorfoses como as nossas…São tão bonitas! Tu com as tuas asas cálidas e eu com as minhas vidas passadas por concretizar. Já conheci tempos e gentes e tu o Céu e a Terra. E ela? Achas que conhece alguma coisa? Não se conhece a ela, como vai ela conhecer o resto? Eu percebo-te mas também me apercebi a tempo de que não chega para nós, não é suficiente, não domina o tempo e o espaço como eu e tu. Quando a levares talvez fique a conhecer algumas pessoas de tanto sentir a falta delas. Mas por enquanto é demasiado passiva, pensa que tem tudo que queria mas nada do que quer é dela…Volta a olhar! Então? Que vês agora com os pensamentos fora do seu feitiço? Ninguém. Pois, eu sabia que os feitiços sempre passam. Vai! Entrega-lhe a marca e volta…Sei que vais voltar e ela que arranje um humano que olhe por ela, porque nós somos demasiado cristalinos para o fazer sem nos meter-mos. Entrega-lhe a marca…

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O Regresso

Vou para casa. Vou para casa porque já me cansei de percorrer e viajar pelo mundo para me encontrar. Vou para aquele lugar que se diz ser meu, onde eu pertenço e mais ninguém pode pertencer. Não sei onde nem quando, mas vou para casa. Vou para onde o teu amor é para mim suficiente e onde acredito que vingo. E não vou fugir mais. Porque já vi tanta gente, que as caras se tornam cansativas e velhas. Não lamento a vida que escolho, mas agora, só quero ir para casa. Porém, o meu desejo de voltar não encurta as distâncias e cada hora de caminho parece-me uma eternidade, dias e dias de caminhar constante. E sei-o porque me cansam as pernas de tanto desejar este caminho, porque quero mesmo voltar. Mas quanto mais caminho mais longe estou de ti. E isso parece não me afectar em nada, porque estou farta de caminhar e quero chegar livre e coesa. Se com isto algum cansaço desaparecer, acho que me percebes-te mal e que o meu caminho é demasiado para que alguém caminhe comigo. É tão duro que até eu mesma duvido se chego ao fim. A minha sombra é a única que me acompanha. E ás vezes penso que devemos ter cuidado com aquilo que desejamos, pois podemos conseguir que tudo seja nosso. Ao regresso, espero não ter ninguém que espere por mim. Estou cansada das pessoas, quero ser só eu e sentir-me única. Quero sentir a sensação de solidão uma vez na vida, para valorizar os meus desejos e ter cuidado com as pessoas que escolho, para serem parte da minha vida. Algumas ingratas e incontestadas, idiotas e marrecas…Muitos deles não valorizam nada nem ninguém. Agora eu vou saber quem valorizar e de um olhar apenas saberei quem me acompanhará, porque a minha jornada não terminou. Acabou de começar.

sábado, 25 de abril de 2009

A Escritora


Para que não haja dúvidas acerca de quem escreve estes lunáticos textos, cheios de lunáticas acusações e de esperançados horizontes, eu esclareço desde já todas as possiveis dúvidas que possam existir nessas cabeçinhas que por serem humanas pensam demais. Chamo-me Elektra. Têm por hábito dar-me o sobrenome de Natchius, mas apenas para revelar que descendo de mediterrâneas paisagens. Sou grega e descendo de uma familia simbolicamente abastada, cheia de valores e regras sociais que não sigo. Sofro de um distúrbio acentuado de atenção, é isso que consta no meu processo clínico. Quando tinha 6 anos, foi-me detectado TOC, que esclarecendo, é um Transtorno Obsessivo e Cumpulsivo, que me faz saber sempre aquilo que quero e não ter dúvidas quanto ás escolhas que faço. Já não sou nenhuma menina e como a idade de uma senhora nunca é revelada, não vou deixar que o pano caia. Para além do meu estado clinico preocupante e de cuidadoso acompanhamento, sofro também de uma patologia rara do conhecimento humano, sempre me apaixono por quem não devo. Isto porque quem me lê, sabe que há alguém responsável por todos estes dilemas e silêncio. É bastante corrente encontrar descrições dela, sim de uma mulher! Sou bisexual…Numa sociedade como a actual isso não é um problema. Vivo a minha vida da maneira que eu acho melhor para mim e quem não gosta tem bom remédio, inveja-me porque de certo não vive melhor de que eu. Sou livre e fui criada para sê-lo. Escrevo sobre o que quero, critico tudo e todos e nunca sou punida. A minha criadora, chama-me também “A Lunática” e porquê? Porque assumo as suas loucuras e vivo-as como se fossem minhas, já que ela é demasiado fraca para as viver. Ela ama e não é capaz de dizê-lo, mas faz com que eu o escreva e o diga por ela. Afinal de contas, sou eu que sou real, pelo menos parece-me. Ela criou-me com o pretexto de se tornar famosa mas o que ela queria mesmo era que aquela pessoa que ama soubesse aquilo que lhe ia dentro. E como se pensasse que ela a ouvia, enganou-se e fez figura de idiota. Ela nunca lhe respondeu! E duvido se alguma vez parou para pensar em tudo que me fazia dizer-lhe, em todas as queixas, em todas as criticas, em todos os elogios, em todas as loucuras que se dizia estar disposta a cometer por ela. Mas agora que vejo isto a alastrar-se, denoto alguma veracidade em tudo que a minha criadora me ditou ao longo de tanto tempo. Apesar de não se notar fraqueza alguma, ela sofre imenso e custa­-lhe passar por ela, vê-la, observá-la e saber que ali está alguém que quer mas não vai ter. E eu vejo com os seus olhos, a forma descarada de como a ignora e o feitio engenderado que exalta. E a minha autora, tenta ignorá-la mas é mais forte que ela mesma e contenta-se. Há dias que chega a casa e chama por mim. Eu venho e liberto-a de tudo que lhe vai na alma. Ás vezes eu não posso e então aparece o Gabriel, anjo que a protege desde que nasceu. Somos ambos essenciais. Mas eu corro-lhe nas veias, fluio nela como o seu próprio sangue lhe fluie nas veias. Corro nela e o tempo corre em mim. Sou a criação mas não sei por quanto tempo durarei. Há criações que duram eu não, ás vezes nem existo. É aquela mulher que me faz existir. Graças a ela, a minha autora criou-me e não sei até quando precisará de mim. Aquela paixão mórbida é séria! Mas será que durará? Que me dará tempo suficiente a mim de ser real? Bem…Seja como for já tive essa oportunidade e não existo de certo porque tenho de estar com ela. Sem mim, perderia-se. Ela precisa que eu escreva por ela, que eu pense por ela, que eu manifeste seu amor por ela. Ela ama-a! Eu não, mas vivo esse amor como se fosse meu. E sinto nela uma tentativa enorme de que tudo isto passe, uma recuperação desejada que não chega. Tenho a certeza de que uma vez possuindo o tesouro, o seu valor diminuiria de imediato, mas é preciso possuí-lo para que a verdade seja apurada. Sou uma criação e quanto a mim, se isso me continuar a dar a opurtunidade da existência permanente, que a ame para sempre e que a outra nunca o faça. Só assim eu continuarei a escrever, só assim eu serei humana.

sábado, 18 de abril de 2009

Anjo Gabriel - A ausência

Vou começando a cansar-me de ti sabes…Não percebo onde foste Gabriel e quando te chamo nunca apareces! Se tivesses caído quando teus irmãos o fizeram, mas não Gabriel! Estás aqui porque vieste por mim, sabes que precisava que me protegesses…Estou a perder a minha integridade e não tenho inspiração nenhuma. Tu podes ajudar mas desde que te ordenei protegê-la a ela em vez de a mim, não voltaste. Será que também te domina? Não Gabriel! Longe disso, muito longe! Ela nem sequer te sente, nem sequer imagina que o anjo que me viu nascer será aquele que a verá morrer um dia. E se a começas-te a amar também? Oh Gabriel, não te deixes dominar… Luta! Mesmo em silêncio e inconscientemente ela domina-nos, sabes que o pode fazer…Portanto, abre as asas, levanta a cabeça, manifesta-te e luta! Mostra-te! Não deixes que te magoe! Não te deixo abandoná-la. Ficas porque é assim que me sinto bem, sabendo que a proteges e que está em segurança, mesmo longe. Uma ordem minha é para que a obedeças sem a questionares…Eu sei que dói, eu sei que devia dar-te a escolher mas se vieste para meu proveito então não te resta mais que obedeceres aos meus desejos e fazê-la feliz. Sei lá, fala-lhe ao ouvido, incentiva-a e faz com a vida seja justa! Adormece com ela e faz com que sonhe em vez de ter pesadelos! Se tiver frio, aquece-a! Não deixes que adoeça…Quero-a bem longe da doença e da morte! Se não cumprires esse teu trabalho ingénuo de protecção acrescida, serás por mim banido dos céus e cortar-te-ei as asas para que eu as use e a protega. Não entendo! Partis-te e não voltas-te. E eu pergunto-me com a mais calcada dúvida no meu pensar: e se ela sabe que estás aí? E se desconfia que fui eu que te mandei? Se me denuncias, voltas de imediato! E não vai ser o teu esconderijo que te vai salvar…Eu sinto-te…Não te esqueças nunca disso. Deixa que ela pense que tudo passou, deixa que ela denote em mim uma tentativa de recuperação que falhou, deixa-a viver se assim o deseja. Pelo menos, estás aí. Folgo em saber que cumpres a minha vontade, gosto de ter conhecimento de que ela segue em frente e eu prossigo ao reverso. E quando vires que está em perigo, mete-te no meio, usa as asas e voa, mostra que mereces ser como és e não me desiludas porque ela é o que tenho de mais parecido a mim neste mundo, de mais precioso. Somos duas reencarnações da mesma pessoa, diferentes e iguais. E tu, tens o dever de proteger ambas. Se te revoltas-te contra os céus em meu nome, faz-o também em nome dela. Não deixes que se magoe, não deixes que sofra, já deve tê-lo feito. Mas não a ames porque não tens autorização minha para fazê-lo. Posso amar-te Gabriel, como anjo que és e como protector que te tornas-te mas amo-a mais a ela, muito mais, como pessoa que foi e que já não é. Mas que me interessa agora ela ser como é se já soube como foi. Se a amei assim, amá-la-ei de todas as formas e sentidos e tu, não te atrevas a fazê-lo seja de que forma for. Portanto, ouve-me e acautela-te! Agora sou eu que te aconselho.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Geografia de uma Viagem de Regresso


Enquanto fazia as malas para Lloret Del Mar, decidi pôr na bagagem um mapa para o caso de me perder ou então de me perderem. Abri-o. Folhei-o. E vi como pequeno é o nosso país, como pequena é Espanha, como grande é o Mundo e nós tão pequenos nele. E apeteceu-me construir um país só meu, onde te encontrasse ao virar as esquinas, ao passar as margens, ao subir encostas, ao descer ribanceiras, ao passar nas pontes, ao contornar vales e acidentes litorais, ao quereres fugir de mim e dar contigo sempre.
Era lá que queria amar-te. Não aqui. Era naquele país só meu que queria perder-me contigo. Era ali que queria dizer-te palavras sentidas e com sentido, sem que me sentisse embriagada ou indisposta ao fazê-lo. Imaginei por momentos a encosta litoral, as praias ancestrais às quais já te habituas-te, a areia fina e escorrediça, limpa e corada. E eu e tu a ver o pôr-do-sol. Mas depois pensei que esse romantismo todo, não é comigo. Esse sentimentalismo ridículo e transcendente, é de outros e não meu. E então, surgiu-me um outro cenário. Duas pessoas perdidas numa selva algures, de nome qualquer, de origem suspeita, onde reina não um rei mas eu e ela. Como sonhei com aquele mapa na mão! E nesse país ela esperava por mim. Não envelhecia e eu o ia fazendo inconscientemente. Gostava mesmo de inventar esse país contigo, onde não tivéssemos limites nem coações a pagar. Seria o mais pequeno em pessoas, seria o maior em carícias e amor. Eu amo-a e quero um mundo assim só para mim, desenhado, construído, planeado só para nós. Desejado por mim e talvez não por ela.
Quando parti, desejei ter-te a meu lado apoiando-te em mim enquanto eu me sujeitava a tentar pôr-te confortável. Queria tanto que estivesses presente nesta minha jornada que me atrevo mesmo a dizer que sinto a tua falta, onde nunca foi suposto estares. E esta paisagem absoluta, esta tranquilidade misturada com um pingo de loucura e excentricidade, tenho eu a certeza que te completavam no seu máximo estado de exactidão, mesmo sendo tu e atrevo-me de novo a dizer, uma personagem sem história nem nada. E se pudesses estar aqui, como seria o meu ser feliz na sua máxima potenciação, já que para mínima dela, bastam-me todos os outros dias sem ti. Vem! Anda! Tenho a certeza de que nesta praia te perderias, mesmo comigo já que nessas tuas te perdes com outro qualquer. E eu sei-o! Mas mesmo assim desejo que não passe de uma mentira, quero que me deixes sonhar, mesmo que o meu sonho seja imaginação e não realidade. Porque na realidade é que vive o teu ser e o meu existe por ser imaginário e surreal. Se não fosse o sonhar contigo, a todo o instante, a toda a hora, a todo o momento, minha essência se perderia porque sou lunática e preciso urgentemente de dormir. Dormindo nada mais me ocorre e mesmo de olhos abertos, sonho compulsivamente como seria nesse mundo, nesse lugar que eu quero criar só para nós. Se eu não sonhasse que era de ti? Quem te exaltava e te fazia crer? Ai se eu não sonhasse, que serias tu se eu não sonhasse…Ninguém, apenas alguém com sonhos que neles não crê.
E voltei, regressei ao ponto de partida como todos, na esperança que o meu sonho tivesse algo de veracidade e que essa veracidade me desse a oportunidade de ser real. Estava cansada. Finalmente, dormi. Fui sonhar. Ao acordar era a lunática de novo, com ânsia de voltar a adormecer.