sábado, 19 de dezembro de 2009

LembrançaS a Carvão

Tudo que tenho dela é um único retrato,
Uma recordação pitoresca de algo que foi e que desconheço hoje.
Pálida sem tinta,
Numa folha prescrita a carvão.
Sem expressão fita meu rosto,
Pedindo-me que a retoque como se eu fosse uma artista,
Que lhe puxe aqui e lhe sombreie acolá.
E eu na minha ignorância respondo-lhe,
Fazendo dela um estudo anatómico de estética imperfeita.
Não posso pintá-la como não é,
A Realidade não tem nem deve ser necessariamente Bela.
Para mim era.
Percorro com o lápis a expressão numérica que lhe deu proporção,
E sem dar por isso, altero-lhe,
Modelo-lhe, Corrijo-lhe as gralhas e a falta de expressividade.
Levemente vai sorrindo e alteando as sobrancelhas,
Calmamente vai aceitando meu toque como aquele único,
Desejado, carinhoso, genuíno.
Agora sim vai sendo obra mas pede-me mais.
Quer cor, nitidez, brilho para que deixe de ser sonâmbula entre os livros,
E possa pousar na parede e fitar toda a sala.
Até que deixa de fitar…
Começa a ver e a esvoaçar olhares a toda a gente.
Quase propositadamente, oferecesse, esbanjando a sua personalidade híbrida
E fazendo palpitar todo o homem que anda á fêmea.
Enciúmo-me.
E começo a odiá-la ameaçando até apagá-la definitivamente desta folha de papel.
Não passa disso.
De um retrato numa folha de papel,
Mesmo pensando que é Deusa e que poderá tingir os céus.

sábado, 7 de novembro de 2009

Cais De Embarque


São horas de voltar para casa.


Por muito que percorra, só lá me sinto segura. Só lá me restauro para ser roubada e corrompida novamente quando voltar para este inferno de cidade grande e bem sucedida.


Estou sempre á espera de voltar. A semana passa-se e tudo que me move é o regresso.


Está frio aqui e chove compulsivamente.


Estar longe custa mas ultrapassa-se mais ou menos com um momento de solidão e de pensamentos sobre mim e sobre o que faço aqui. Sei que tenho de estar aqui. Eles querem que eu esteja aqui. É aqui que estou. Eles estão felizes e eu também devia estar.


Só o mar me acalma. Somos iguais. Ele revolta-se e irrita-se com o simples roçar dos barcos. E eu revolto-me e irrito-me com um simples encontrão no meio da rua. Até o mar tem mais sorte que eu. Dói-me muito mais a mim do que a ele. Mas ele entende-me e absorve tudo aquilo que me preocupa. Não me causa danos nem perturbações mas eu temo-o como se fosse a própria morte. Ele quer tocar-me, tem ânsia por mim. Às vezes, dá-me a sensação de que me quer falar e após uma longe espera, reparo que estava enganada. Que louca! Agora, o mar já fala…


Viro as costas e começo a caminhar sem destino. Percorro a costa uma e outra vez, e outra, e outra mais…E vou reparando que as pegadas que deixo vão desaparecendo, como se estivesse eu mesma a desaparecer ou pelo menos aquilo que eu tenho, aquilo que eu deixo, aquilo que eu penso que sou…A margem vai encurtando e eu distancio-me já perto do porto, onde uns retornam e outros começam a viagem.


E relembro a minha própria viagem, escrevendo num álbum poemas submissos e rancorosos de alguém que partiu de mim e jamais voltou. Sinto que fui um óptimo cais de embarque. E hoje, sinto que sou um barco encalhado de uma pequenez tal, nem avistado pela luz dos faróis nem visto pelos olhos das pessoas.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Tragédia Da Vida


Se é Tragédia ou Comédia toda esta vida que levo, não sei…Mas de certo sou actriz épica e comediante. Rio-me da vida porque também esta se ri de mim. E mascara-me para que ninguém me conheça. Vivo a vida de homens e o sonho dos deuses. Hoje, os homens não sonham. Também eu vou deixando de sonhar. O cansaço não me deixa sequer pensar. Sinto-me vazia. O sonho já não é uma prioridade. A luta foi deixando de existir. Estou a perder capacidades e sinto-me doente. Dói-me a alma, pesa-me a cabeça, ardem-me as articulações e torna-se difícil andar, até falar. Vou sendo mais leve mas sentindo-me extremamente mais pesada. Acho que não fui feita para ter paz. Sossego. Felicidade. Amor. Compaixão. Sucesso.

Absorvem-me com tanta facilidade que ao fim do dia não tenho energias de reserva. Ou porque mas levaram ou porque eu deixei que as levassem. É tanta a inveja, é tanto o meu orgulho e profunda a minha desistência.

Dantes tinha uma âncora. Hoje nem isso tenho. Nem fui capaz sequer de me prender a ela.

Os livros ganham pó na estante. Não há paciência e começo a desconhecer os caracteres em que estão escritos. É desumano cair assim, numa constante incerteza, numa certa inconstância, numa saudade eterna, numa insignificância cruel…

Parece-me que nada sei…O interpretar de tudo torna-se difícil até mesmo deste papel de actriz que me deram! Não sei se de comediante ou de trágico termo…

Depressiva, sozinha, desmembrada, esquecida, tragicamente motiva por um amor que já não existe…É assim que me vejo hoje! A viver do passado…E perdi tanto, tantas pessoas, tantos momentos…Nem Homero conseguiria escrever este enredo, nem pela mímese, nem pela música…Nem por qualquer outro meio…

Não ouço ninguém. Começo a deixar de ouvir.

A música era tudo. Hoje, é nada.

Não me sinto orgulhosa por chegar onde cheguei. Não sinto afectividade com nada nem com ninguém. Tudo me parece estranho. Não quero entranhar-me. Não quero familiarizar-me para voltar a perder tudo. Não posso perder mais nada. Talvez, não haja mais nada a perder.

Pergunto-me tantas vezes porque não fui mais forte e não me impus… Pergunto-me constantemente porque razão têm eles que escolher por mim…Questiono-me todos os dias sobre quem fui e sobre quem sou hoje. A comparação é inevitável…

Já não sou inteligente nem fantástica. Já não tenho força. Tornei-me fraca e não consigo lutar, seja pelo for. Já ninguém me idolatra como dantes. Já rejeitam os meus conselhos por acharem que sou perigosa! Hoje, o Sol não brilha para mim. Preciso de ajuda e não me sinto com força para a pedir.


É na Tragédia que vou vivendo enquanto não chega o episódio final.

sábado, 26 de setembro de 2009

ParentaliDade GeográfiCa


Sou vulcão que explode,
Nas encostas da tua incerteza.
Sou falha que desliza,
Até te ver desmoronar.
Sou mudança climática,
Desse degelo teu.
Sou catástrofe, sou tornado,
Que sem mais força, esmoreceu.
Sou mapa topográfico,
Com as coordenadas da tua existência.
Sou rio que corre ao mar,
Com enorme paciência.
Sou globo que percorre,
Todos os recantos onde te vi.
Sou a rota quando migras,
Á cidade onde nasci.
Sou satélite terrestre,
Que te olha constantemente.
Sou desigualdade e pobreza,
Em qualquer continente.
Sou bola de pêlo flutuante,
Num tremendo oceano.
Sou Norte e Sul,
Muito para além deste meridiano.
Sou rosa-dos-ventos incompleta,
Porque muitos caminhos me levaste.
Sou cabo, sou costa,
Onde por perto te afogas-te.
Sou superfície lunar,
Onde querias poisar.
Sou planalto ou colina,
Onde tanto ambicionas chegar.
Se fosse praia arenosa,
Dominavas-me sem pensar.
Mas como sou rochosa,
Sabes que dói ao tocar.
Ainda sou especiaria rara,
Vendida ao pôr-do-sol.
Canela, orégãos ou colorau
Ou extracto de girassol.
Sou upwelling no mar,
Corrente bem nutritiva.
Alimentaste-te bem dela,
Enquanto ia e vinha.
Sou tundra nos pólos,
Fria e repelente.
Sou deserto em África,
Seco e quente.
Sou copado de árvore,
Que resiste á tua pressão.
Sou agente erosivo,
Que dá asas á sua acção.
Somos duas politicas comuns,
De diferente fuso horário.
Sou estação do ano e mês,
Que não vem no calendário.
Sou grande escala de mapa,
Reduzido ao pormenor.
Sou salinidade das águas,
Que não te deixa envelhecer.
Sou recurso industrial,
E poluição exagerada.
Sou de clima tropical,
Pelo mundo extraviada.
Sou taxa de natalidade,
Para levar a cabo a qualquer momento.
Sou Tratado Europeu,
Levado á cena no Parlamento.
Sou função residencial,
Se me puserem na periferia.
Sou CBD internacional,
De Paris ou de Manila.
Sou radiação solar,
Que te causa transtorno.
Sou sustentabilidade mundial,
E de todo Universo.
Por isso, sou tudo.
Sou mais do que tudo.
É uma globalidade constante,
Saber que em tudo, perduro.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A Costa


Já nada me mantém ancorada nesse teu cais. As marés vão sucedendo-se. Mas nenhum do teu Sal me salga já. Ou serei eu que talvez não me queira deixar salgar mais. E digo teu cais porque onde estou eu não há mar nem tão pouco sal do teu. Esgotou-se quando partis-te. E agora foi de vez porque há quem me diga que não voltarás tão depressa. Para sempre sei que não.
Sei que há outras vidas. Outros horizontes.
Outras paragens com mar que salgarás.
Tudo que me reconforta é que noutra vida, não sei bem em qual, foste minha. Tens todo o direito de ser de outra pessoa. E também eu tenho desejo de ser de toda a gente. Eu sou do mundo! Nunca me iria conter estando contigo. Não quero só a tua âncora, quero-a de todos os portos, de todos os navios, de todas as praias e de todos os mundos. Sou uma viajante do tempo que o percorre procurando-te sempre. Desta vez, caí num mundo em que tu és diferente. Inteligivel. Infelizmente, o meu poder neste mundo foi reduzindo-se.
Passei de ter-te a querer-te. Porque nessa vida não te queria e tinha-te. Será porque sempre queremos provar o fruto proibido. Será porque nascemos em tempos distantes. Será porque te comecei a amar por te ter perdido.
E por estranho e penoso que pareça, salgaste-me. Transformas-te o meu ser monótono e anti-social em alguém divertido e carismático. Idolatro-te por isso. Porém, o teu porto pede mais. Não abriga barcos á vela, frágeis e despojados. Prefere navios, estáveis e audaciosos.
Não digas que eu não sou audaciosa, se me propus conquistar o teu porto sem sequer me importar com a maré cheia ou vazia. Eu parti para ti sem saber que o rumo era a Sorte. E atraquei sei Sorte e sem nada. Até sem ti.
Embora tenha atracado, sentia-me á deriva. Perdida.
E sabes o que dizem dos barcos á deriva? Atracam sempre nalguma Costa.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O Crime - Capítulo Último


Sabem o que dizem sobre os crimes passionais?
São cobardes e loucos mas são genuínos porque por detrás de tudo jaz um grande e verdadeiro amor. É pena que algumas pessoas como é o teu caso não percebam isso e o amor acabe por morrer. Mas vais perceber ou eu vou ter que tomar medidas. Possivelmente, estás a perguntar-te “Isto é para mim?”. Sim, isto é para ti. Tudo que faço é para ti. E não o valorizas, nem sequer me respondeste quando precisei que o fizesses. Agora é tarde.
Vejo-te todos os dias, sigo-te a toda a parte. Os meus olhos são os olhos de toda a gente. O mundo é meu. A tua cidade, a minha, eu estou em todo o lado. Nasci para dominar. Ouço-te e observo-te sempre que sais e pões os pés na areia. Quando bates a porta e sais com ele, eu estou lá.
Sabes? Já estive mais longe de fazer merda! Já te vi tantas vezes com esse cretino e consegui controlar-me. Mas agora estou num patamar diferente. Vou fazer mesmo merda! Tens tempo para escolher.
Deves estar a questionar-te se terei estofo para fazer alguma coisa. Infelizmente, quem sabe se não tenho já cá não está. Lamento.
O teu grande problema eu sei qual é. Nunca me levaste a sério! Pensas-te que por teres essa tua profissãozeca de pessoa conformada com a realidade ténue e invertebrada me podias rejeitar como fizeste. Eu merecia mais! Eu quero mais! E não vais fazer mais nada porque se eu vejo que te esticas vais tu e ele! Não me desafies, querida. Toma conta da tua vida e deixa o cretino seguir a dele. É bom para ti e melhor para a saúde dele. Acredita que eu sou capaz! Brevemente, voltarei. E se vejo sequer esse idiota a aproximar-se de ti…
Não! Primeiro tenho que reformular a minha tese que deixarei para todos. Já não és aquela pessoa que descrevi. És uma galdéria assanhada a quem a morte leva toda a gente porque não mereces ter quem viva ao teu lado. Como já disse tens escolha: Ou o deixas ou ele morre e se não estiveres contente, morres tu também e quiça os teus.
Vá! Chama-o para ler isto. Avisa-o. Deves estar assustada agora e a chamá-lo ou e ligar-lhe se não está contigo. És tão previsivel! Ou então guardas tudo para ti e esperas que cumpra o que estou a prometer-te.
Fizeste com que me transformasse nesta pessoa vingativa e repugnante. Tudo que viste até hoje foi quem era não quem sou. Tudo que lhe acontecer será culpa tua. E eu no máximo, alego loucura e passo 5 anos a recuperar com medicação intensiva! Tenho que pensar! Não posso deixar que uma pessoa como eu morra por uma cabra qualquer. Ou que seja esquecida por um crime que ainda não cometeu. Preciso de um plano…
Tudo que me moverá daqui para a frente será a vingança! Ninguém nem mesmo tu me despreza sem sequer dizer porquê! Nunca! E se o fizeste foi porque te amava tanto que não podia pôr-te em causa nem humilhar-te. Sei quão duro pode ser o mundo e não queria que fosse duro para ti também. Mas agora, que se lixe o que queres ou o que o mundo é!
Se não te tenho, mais ninguém vai ter.
Tapei os olhos mas agora não tapo mais. O descaramento é tanto que me enjoo. Deixa-me nauseabunda o facto de imaginar cenas repetidamente insólitas entre vocês. Por isso mesmo vou acabar com tudo de vez. É melhor que se vá despedindo lentamente porque vai ser lenta a minha vingança e ninguém poderá julgar-me porque o meu julgamento já começou á três anos. E tu foste a juíza principal. Se não me leste até hoje lê agora. Aconselho-te que o faças. Tu crias-te-me. Tu crias-te este wendigo que sou. E arrancar-te-ei o coração se for necessário.
Olha para mim? Não te tenho? Que tenho eu a peder? A vida é assim, querida. Não tens hipóteses porque simplesmente não tas dou. A escolha foi tua. E novamente será.
Tinhas tanto potencial e desgastas-te com esse indecente que te engana todos os dias.
Revolta-te, queixa-te, torna-me famosa pelo mundo, eu quero que o faças. Fala com toda a gente, retira essa raiva que tens enternecida na alma e odeia-me. Força!!!Eu quero que me odeies porque te vou dar razões para fazê-lo. Vais desejar morrer quando vires todos os teus banhados de sangue e eu á espera para te tornar num deles. E eu vou ser eterna pois levarei comigo almas que nunca se libertarão.
Sabes? Amava-te tanto que só queria uma oportunidade. Nem isso! Nem isso me deste! E eu tentei passar por ti e não sentir nada. Mas tu encarregaste-te de te mostrares mais e mais! Eu juro que tentei! Vou desiludir tanta gente por ti mas vou vingar-me. Ninguém fica com a minha presa!
Os meus 18 anos vão ser marcados por ti. Pela minha doce e tenra vingança e pela loucura que aprendi a consolidar com o meu génio literário.
Espero que estejam á minha espera quando saírem e eu estiver pronta a levar-te!
E tudo isto? Não dará mais do que um livro.
Espero que chegues comigo ao capítulo final.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Grandes pessoas, Grandes mudanças



Vamos pessoal!! Agora que saíram as notas dos exames tudo rumo ao ensino superior para fazer-mos furor pelo mundo e alcançar-mos o estatuto que tanto desejamos… Ás vezes aquilo que desejamos desilude-nos como cabeçada na parede. Tanto tempo a estudar, tantos trabalhos e teses de mestrado para quê, se continuamos a ser míseros e mortais. Como se algum dia alguém se pudesse tornar imortal…!
Mas até nos dá gozo chegar-mos ali e dizer-mos “Passei!”. Vi nalgumas caras a mais simples realização que um ser humano pode ter mas mesmo assim essa simples e mísera realização fazia-os felizes. Se algum dia chegarem a realizar-se por completo então não haverá tristeza nem nada que falte durante toda a vida.
Mas todo aquele furor e sentimentalidade passa nos minutos seguintes. Se têm motivos para chorar, choram. Se têm razões para sorrir, sorriem. É simples. É tudo lógica. E quando vêem as noticias á noite durante a hora de jantar (como se não houvesse mais nada que fazer senão prestar atenção a TV), pensam seriamente: Acabei o Ensino Secundário e agora? Pois…E agora pergunto eu!!! Onde Diabo vai haver vagas para tanto aluno que se quer formar e ser independente? Onde raio há empregos para os que se formam, se tudo que se vê na TV é desemprego e mais desemprego?? Sinceramente, ás vezes pergunto-me porque razão andei eu 12 anos a estudar se o mais provável é tirar um curso e nem ter emprego…
É o país que temos!!Défice, impostos, desemprego, tudo a subir!!! E depois de ver-mos isto temos nós vontade de lutar por alguma coisa se o mais provável é perdermos todas as batalhas?
Politicos corruptos sem cursos decentes, ministras idiotas sem ética nem moral, leis que não fazem sentido…É tudo a nosso favor!!E pobres daqueles que tiram os cursos e vão lavar escadas ou vender na praça…É triste ver o país neste caos apoteótico…Mas que vou eu sozinha fazer se ninguém está do meu lado? Os que lá estão não saem de lá…Se não saem, têm que sair!!A bem ou a mal…Se já se viu um país tão ignorante, tão inútil, tão fraco, tão pobre…Quase que somos país de terceiro mundo!!E os de terceiro passam para quatro num instante.
E volto-me a interrogar: E agora? Tiro um curso e na melhor das hipoteses fico a servir á mesa ou se a Sorte estiver do meu lado, tenho o emprego que sempre sonhei e morro a saber que vinguei num país de merda!!! Pois é assim pessoal, abram os olhos ou estamos muito mal…Matem-nos! Esquartejam-nos! Queimem-nos! Não fazem falta nenhuma se em vez de ajudarem só complicam…Temos de ser realistas e deixar de ser socráticos porra!! Esse era logo o primeiro a ir para a fogueira!!
Daqui a uns anos, quando olhar para todos aqueles que foram ver os resultados dos exames e vir neles o mesmo sorriso que vi quando avistaram a pauta, então acho que conseguimos mudar alguma coisa…Lutem por se realizarem pois a vida sem objectivos e sonhos não faz sentido! Lutem pelo que mais querem, nem que seja o impossivel…Somos bons, somos grandes pessoas. Mudem-se e mudem tudo a vossa volta porque eu já mudei e vocês? De que estão á espera?????


(“Sorriam á vida e pode ser que ela vos retribua com um arco-íris.”)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Estou aqui


Não posso deixar-te partir. Fugir de mim. És parte de mim agora, tenho o sabor dos teus lábios, o aroma do teu cabelo, o sentir do teu toque, o teu olhar que me pertence. E não quero saber qual é a razão pela qual não podemos estar juntos, pela qual não podemos estar sempre assim, cúmplices. Fecha os olhos. Pede um dejeso e eu faço com que dure para sempre. E se não conseguir pelo menos ter-te-ei a ti. E agora, pulo todas as paredes porque sinto a tua falta.
E diz-me: É uma ilusão aquilo que vivemos ou não passou de um sonho? Porque ilusão e sonho não têm de confundir-se. Se foi sonho, significa que dormia quando tu partiste. Se foi ilusão, então dormia acordada, crente de que somos um só. E enganava-me inconscientemente.
Agarra a minha mão, toma a minha vida mas não para sempre. Não o faças. Para sempre é demais.
Estou aqui, volta se queres voltar. Sabes que te espero, que anseio por realizar esse teu desejo por mais absurdo que seja. E tu, não és demais para mim. Sei que não.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

InvaDida

Sinto-me ultrapassada. Tenho a derrota dentro de mim. Estou cansada. E já nem a Elektra me ajuda. Dantes podia sentir-me ainda. Agora sinto que tudo que se escreve é dela. Fui sendo ultrapassada por uma pessoa que não existe. Pela minha própria criação! Mas devo-lhe o triunfo. Foi ela que me manteve saudável e consciente. Segurou-me na cabeça e nas mãos sempre que caía. E vivi o amor dela em vez do meu. E minha vida foi sendo invertida com a vida dela. Ao contrário dela eu sou real ou sinto que fui uma vez. Agora, a realidade abriu-se e restou um mundo inteligivel no qual eu não posso nem consigo entrar. A minha realidade é a realidade dela agora. É ela que querem, é ela que me comanda.
Não sei se por falta de coragem ou por humilhação, prefiro que o estrelato seja dela e não meu. Porque ela e eu somos a mesma pessoa em versões diferentes. O heterónimo é real , muito mais do que a pessoa que o criou.
Os meus pensamentos são estranhos e confundem-se. Intercalam-se e deixam-me baralhada. Não entendo. Ela sabe lidar com isto. Eu não. E quando ela não está em mim simplesmente penso em não existir. Reduzo-me ao mínimo e escondo-me. Ela roubou-me mas eu deixei que o fizesse. Era ela que devia existir se não existe já. As palavras que ouvem são dela porque eu não tenho intuito suficiente para as escrever. Nem tão pouco para as dizer. E aquele amor dela enlouqueceu-me porque deveras não era meu. Dei-lhe total liberdade em mim, deixei que me explorasse e me libertasse á sua maneira e acabou por enlouquecer-me. E quando me queimo é ela que se queixa, quando me batem é a ela que dói, quando choro são dela as lágrimas, quando escrevo pertencem-lhe os meus pensamentos e recordações.
Não posso reverter o efeito que tem em mim. Não sinto, não penso. Mas queria sentir e pensar. Não me deixa. São dela as sensações. Ela obriga-me a sentir o que não me pertence! E eu não luto. Porque ela é muito mais genuína do que eu, muito mais especial, muito mais procurada, desejada e absolutamente fantástica. Domina várias ciências…É impossivel comparar-me a ela em conhecimento. Fala várias linguas…Discutir com ela não resulta. É assombrosa a capacidade argumentativa que possui e quando lhe digo que se afaste, dá-me mil e uma razões para não o fazer. E então desisto. Á primeira tentativa desisto. Porque sinto que sem ela não conseguirei sobreviver. É o meu refúgio, a minha guarida, a minha sorte e o meu azar. Está cada vez mais dentro de mim e pergunto-me se algum dia decidirá deixar-me. Porque também ela sabe e tem consciência de que é precisa. E como todas as pessoas que são reais, quer triunfar e ser reconhecida.

Elektra Natchius (eu)

terça-feira, 2 de junho de 2009

FrenétiCa

Hoje sinto-me bem, energética, pirada. Sinto-me livre, capaz e soluvel. Gosto de me sentir fresca, aromatizada, em equilibrio. Quero sentir-me sempre ousada, corajosa e empática como hoje. Estou feliz. Estou satisfeita. Sinto-me realizada e orgulhosa por ser como sou. Sinto pena por todos e alegria por alguns. Hoje quero viver. Nunca morrer. Quero andar, correr e correr e dançar. Estou ansiosa e excitada. Estou calma e serena. Hoje sou eu e não aquilo que os outros querem que eu seja. E nada do que me possam fazer me afectará. Estou feliz. Estranho-me. Sinto-me compreendida e desejada. Sinto que me odeiam e que por isso sou importante. Apercebo-me de que me fogem e isso é muito bom porque quem me foge é quem não me faz falta. Estou poderosa. Tenho tudo para ser bem sucedida. Agora tenho tudo. Sei que tenho. Sinto-me desafiada pela vida, que me convida a vivê-la. Sinto que a minha parte decadente morreu com aquela história idiota que queria viver. Sinto-me uma linha telefónica sem parar. Um raio frenético luminoso. Um livro de histórias surreais. Uma novela de final inesperado. Um mapa que quer conhecer o mundo. Uma pessoa que não mais abdicará de si. Mas mesmo assim as pessoas desiludem-me estando eu no meu êxtase de vida. E fica-lhe tão mal essa atitude rasca e de segunda…
Mas tenho sangue nas veias e preciso de viver. Tenho dias e dias que contar, noites sem dormir e dias acordada. Não sei se me aguento mas ninguém me sabe dizer se sim ou se não portanto, é melhor arriscar! Tenho anos que ter e saudades para matar. Tenho pessoas que perder e pessoas que amar. Tudo tem o seu contraste e tenho mesmo que saber se posso e consigo sobreviver. Tenho tempo e mais que tempo para pular. Já outros morrem de tédios azarentos e de vidas constantemente aborrecidas. Tenho fogo. Eu sou fogo! Tenho vida. Eu respiro vida! Sou jovem…Para quê preocupar-me com idiotices que não fazem mais que desanimar-me? Já agora! Mais nada? Estou farta. Quero a minha vida de volta. Quero exaltar-me e rir e viver. Angústia, dor, sofrimento, amores não correspondidos, pessoas estúpidas e cobardes são constâncias que eliminei de vez da minha vida. Portanto, façam como eu: Não queiram chegar ao ponto que eu cheguei de crucificar a minha existência por alguém que se resume a nada, inútil, cobarde, mais que triste. Fazei ver a essas pessoas que um dia, quando estiverem sozinhas e olharem para o lado, não vão ver mais que a parede que nem sequer as reconforta com um sorriso. A vida dá muitas voltas e sabem que mais? A minha já deu as que tinha a dar.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Cobaia




Não quero estudar. Não me apetece mesmo nada voltar a ler coisas das quais estou farta, massada, completamente desinteressantes embora me tornem um ser cívico e cultural. A minha preocupação é precisamente essa, precisar de estudar e não ter vontade de o fazer. Ainda por cima, estando tão próxima a fase de exames. Tenho a cabeça saturada e massada de tantas preocupações, preocupações que me põem em causa enquanto ser com capacidades, direitos e deveres. E exigem de mim comportamentos que não tenho e valores que perdi. E depois dizem-me que penso demais…Mas se não penso eu quem pensará por mim?
Estou seriamente a ponderar se desisto de tudo. Porque o peso é demais para mim e logo agora quando acabo de ser reabilitada no mundo, dito normal. Porque o mundo donde venho superou-me e pertence-lhe. E com essa derrota, que mais suportarei eu? Não chega já? E depois sou eu que penso demais!! Que grande lata têm estes…
E repenso aquilo que quero e nada mudou. O problema é mesmo esse, tenho muito claro aquilo que quero e não terei reação alguma se não o conseguir. E estou disposta a passar por cima, seja de quem for, para o conseguir…Lamento, mas a vida também não me é justa, portanto não devo eu justiça a ninguém. Se tiver que remoer a consciência terei muito tempo até morrer. Ou não.
Pergunto-me todos os dias se vou ser capaz de cumprir tudo aquilo que estão á espera que eu cumpra. Porque aquilo que eles querem não coincide em nada com aquilo que eu tenciono ter. E vou desiludir muita gente quando um dia destes desaparecer de todo. Preciso de descansar a cabeça. Nunca pensei estar tão cansada. Não corro. Pouco ando. Desporto só em casos especificos e meu trabalho é simples. E é esta rotina que me tem cansada. Não é o corpo, mas a cabeça e aquilo que me desmotiva mais é pensar. Pensar em tudo e em nada. Pensar no que ganho e mais ainda no que perco. Nunca estou contente. E isso chacina-me. Sinto-me mesmo uma cobaia depois de duzentas mil experiências!
Mas fui. Fui a cobaia de todos e mais alguns. E apercebi-me a tempo. Porque queriam modelar-me á descrição dos seus valores e normas, queriam transformar-me na filha perfeita, na adolescente ideal, na mulher feminista e idolatrada, na amiga fiel e sempre apta a ouvir, quando ninguém me ouvia. Queriam que eu ganhasse mesmo estando a perder. E quando acabei por reparar que isso acontecia, levantei-me e cresci. Todos viram que eu estava modelada com as minhas próprias ideias e valores. E que era impossivel, mudar-me. Então eu mesma escolhi uma cobaia. E tentei mudá-la a meu gosto. E desiludi-me quando consegui fazê-lo, porque tenho tanta imaginação que muitas vezes ultrapassa aquilo que são os limites da realidade. Mas mudou. E pergunto-me se fui eu, quando todos estranhavam a sua mudança. E esperava muito mais dessa mudança, tinha tantas ideias… Tinha valores que remodelar e atitudes que corrigir. E foram remodelados e corrigidos, pelo menos, tenho o leve olhar que sim. A minha cobaia? Superou-se sem saber. Ainda respira. E eu? Desiludi-me sem contar que mudá-la, seria o maior erro que alguma vez cometera. Porque mudar aquilo que não tem mudança, é tirar da tela a cor.

sábado, 9 de maio de 2009

Anjo Gabriel - A marca

Tudo que dizes não tem a ver com nada! São vagas as ideias sabes Gabriel…Não são claros os ideais e tudo que dizes acaba por ser absurdo! Os valores nem nós nem os anjos os temos , mas queremos pensar que sim e tentamos encontrá-los mesmo que sejam inexistentes. É tão pura, tão inocente a cobardia humana, que mesmo sabendo que somos cobardes nos fazemos de fortes enfrentando o abismo e tudo o demais! Mas quando os verdadeiros desafios se pretendem a parar-nos, aí vemos quem tem força e quem tem manias! São mais aqueles que têm manias e não têm força do que os que têm força e desprezam as manias…E esses Gabriel, os das manias acabam sozinhos, convencidos de que o mundo foi criado para que um ser egoísta e mal-grato reinasse. Mas enganam-se porque pessoas inconscientes do perigo mas gratas como eu pretendem desafiá-los e acabar-lhes com as manias…Espera…Tu desapareces-te Gabriel! Sumiste-te com ela e nem me avisas-te de quando voltavas! E achas isso decente? Também tens manias agora tu? Pensei que apenas os humanos eram cobardes então tu também és…Por que razão ofendo eu a minha espécie e não ofendo os lugares santos de onde vens? Se tu também és cobarde? Olha Gabriel, estou farta de ti! Que me deixes e que voltes vezes e vezes sem conta! Posso ser muito forte mas sabes que calcanhares de Aquiles todos temos…E não me ignores!! Olha para mim imediatamente e fecha as asas porque não mais voarás para longe de mim! Ela que se auto-proteja! Eu preciso mais de ti para quando cair tu estares lá e apanhares-me ou então para quando beijar me dizeres se devo ou não fazê-lo porque tu és a minha Blimunda e vês as pessoas por dentro. Ai se vês! E não viste tu que ela chegava? Ou enganaste-me? Trapaceiro, maldoso, traiçoeiro se sei que me mentes, juro pela fé que tenho nalguma coisa e em coisa nenhuma que não voltarás para ela…E diz-me: Como está ela? Lêste-lhe os pensamentos, não foi? Claro que foi. Posso ver por essa tua cara idiota que lhos leste. E então? Estás apanhado por ela, vá! Sê sincero! Mas eu avisei-te e é melhor que não me respondas porque senão posso não gostar do que me tens a dizer. Sabes que ela engana bem…E continua a enganar-me porque pensa que não desisti! Mas já o fiz á muito tempo e tu sabes Gabriel. Bem! Afinal, porque voltaste? O quê? Tinhas que fazê-lo? Como? Porquê? Não me digas que ela te descobriu!!! Não te descobriu? Então quem me desautorizou desta forma e te mandou de volta? Sabes que vou sabê-lo mais tarde ou mais cedo e sendo assim, melhor é que mo digas tu…Não achas? Não percebo…Vies-te e recebi-te! Pedes e eu concedo! Mandas e eu cumpro! Eu mando e tu cumpres! Não percebo se nos damos tão bem, porque temes em falar…É por ela? Esquece-a, como eu já a esqueci…Se não queres mais estar com ela tudo bem, dá-lhe a marca e volta! Eu recebo-te sempre…É por ela não é? Tu queres o quê? Estás parvo Gabriel? Cair? Por ela? Desaparece! Sai-me da vista porque eu avisei-te…Se lhe tocas, é a mim que tens que responder! E tocaste-lhe não foi? Anjo falhado, não vais cair porque eu acuso-te se o fizeres…Procuro-te onde quer que estejas e denuncio-te para que sejas punido. Devias obdecer-me, ceder aos meus pedidos e acabas de desrespeitar um deles. Só me faltava agora dizeres que queres ser humano…Anda Gabriel! Eu estou calma, podes vir. Sabes como eu já estive nesse mesmo lugar, a desejar o impossivel, sabes não sabes? E sabes também, creio eu, que ultrapassei tudo isso embora me tivesse custado a acreditar que falhara. Mas pensa, olha para mim e para ela: Que vês em mim? Exactamente é isso…E agora, olha bem para ela? Que vês nela? Uma pura raça, humana, sem visões nem metamorfoses como as nossas…São tão bonitas! Tu com as tuas asas cálidas e eu com as minhas vidas passadas por concretizar. Já conheci tempos e gentes e tu o Céu e a Terra. E ela? Achas que conhece alguma coisa? Não se conhece a ela, como vai ela conhecer o resto? Eu percebo-te mas também me apercebi a tempo de que não chega para nós, não é suficiente, não domina o tempo e o espaço como eu e tu. Quando a levares talvez fique a conhecer algumas pessoas de tanto sentir a falta delas. Mas por enquanto é demasiado passiva, pensa que tem tudo que queria mas nada do que quer é dela…Volta a olhar! Então? Que vês agora com os pensamentos fora do seu feitiço? Ninguém. Pois, eu sabia que os feitiços sempre passam. Vai! Entrega-lhe a marca e volta…Sei que vais voltar e ela que arranje um humano que olhe por ela, porque nós somos demasiado cristalinos para o fazer sem nos meter-mos. Entrega-lhe a marca…

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O Regresso

Vou para casa. Vou para casa porque já me cansei de percorrer e viajar pelo mundo para me encontrar. Vou para aquele lugar que se diz ser meu, onde eu pertenço e mais ninguém pode pertencer. Não sei onde nem quando, mas vou para casa. Vou para onde o teu amor é para mim suficiente e onde acredito que vingo. E não vou fugir mais. Porque já vi tanta gente, que as caras se tornam cansativas e velhas. Não lamento a vida que escolho, mas agora, só quero ir para casa. Porém, o meu desejo de voltar não encurta as distâncias e cada hora de caminho parece-me uma eternidade, dias e dias de caminhar constante. E sei-o porque me cansam as pernas de tanto desejar este caminho, porque quero mesmo voltar. Mas quanto mais caminho mais longe estou de ti. E isso parece não me afectar em nada, porque estou farta de caminhar e quero chegar livre e coesa. Se com isto algum cansaço desaparecer, acho que me percebes-te mal e que o meu caminho é demasiado para que alguém caminhe comigo. É tão duro que até eu mesma duvido se chego ao fim. A minha sombra é a única que me acompanha. E ás vezes penso que devemos ter cuidado com aquilo que desejamos, pois podemos conseguir que tudo seja nosso. Ao regresso, espero não ter ninguém que espere por mim. Estou cansada das pessoas, quero ser só eu e sentir-me única. Quero sentir a sensação de solidão uma vez na vida, para valorizar os meus desejos e ter cuidado com as pessoas que escolho, para serem parte da minha vida. Algumas ingratas e incontestadas, idiotas e marrecas…Muitos deles não valorizam nada nem ninguém. Agora eu vou saber quem valorizar e de um olhar apenas saberei quem me acompanhará, porque a minha jornada não terminou. Acabou de começar.

sábado, 25 de abril de 2009

A Escritora


Para que não haja dúvidas acerca de quem escreve estes lunáticos textos, cheios de lunáticas acusações e de esperançados horizontes, eu esclareço desde já todas as possiveis dúvidas que possam existir nessas cabeçinhas que por serem humanas pensam demais. Chamo-me Elektra. Têm por hábito dar-me o sobrenome de Natchius, mas apenas para revelar que descendo de mediterrâneas paisagens. Sou grega e descendo de uma familia simbolicamente abastada, cheia de valores e regras sociais que não sigo. Sofro de um distúrbio acentuado de atenção, é isso que consta no meu processo clínico. Quando tinha 6 anos, foi-me detectado TOC, que esclarecendo, é um Transtorno Obsessivo e Cumpulsivo, que me faz saber sempre aquilo que quero e não ter dúvidas quanto ás escolhas que faço. Já não sou nenhuma menina e como a idade de uma senhora nunca é revelada, não vou deixar que o pano caia. Para além do meu estado clinico preocupante e de cuidadoso acompanhamento, sofro também de uma patologia rara do conhecimento humano, sempre me apaixono por quem não devo. Isto porque quem me lê, sabe que há alguém responsável por todos estes dilemas e silêncio. É bastante corrente encontrar descrições dela, sim de uma mulher! Sou bisexual…Numa sociedade como a actual isso não é um problema. Vivo a minha vida da maneira que eu acho melhor para mim e quem não gosta tem bom remédio, inveja-me porque de certo não vive melhor de que eu. Sou livre e fui criada para sê-lo. Escrevo sobre o que quero, critico tudo e todos e nunca sou punida. A minha criadora, chama-me também “A Lunática” e porquê? Porque assumo as suas loucuras e vivo-as como se fossem minhas, já que ela é demasiado fraca para as viver. Ela ama e não é capaz de dizê-lo, mas faz com que eu o escreva e o diga por ela. Afinal de contas, sou eu que sou real, pelo menos parece-me. Ela criou-me com o pretexto de se tornar famosa mas o que ela queria mesmo era que aquela pessoa que ama soubesse aquilo que lhe ia dentro. E como se pensasse que ela a ouvia, enganou-se e fez figura de idiota. Ela nunca lhe respondeu! E duvido se alguma vez parou para pensar em tudo que me fazia dizer-lhe, em todas as queixas, em todas as criticas, em todos os elogios, em todas as loucuras que se dizia estar disposta a cometer por ela. Mas agora que vejo isto a alastrar-se, denoto alguma veracidade em tudo que a minha criadora me ditou ao longo de tanto tempo. Apesar de não se notar fraqueza alguma, ela sofre imenso e custa­-lhe passar por ela, vê-la, observá-la e saber que ali está alguém que quer mas não vai ter. E eu vejo com os seus olhos, a forma descarada de como a ignora e o feitio engenderado que exalta. E a minha autora, tenta ignorá-la mas é mais forte que ela mesma e contenta-se. Há dias que chega a casa e chama por mim. Eu venho e liberto-a de tudo que lhe vai na alma. Ás vezes eu não posso e então aparece o Gabriel, anjo que a protege desde que nasceu. Somos ambos essenciais. Mas eu corro-lhe nas veias, fluio nela como o seu próprio sangue lhe fluie nas veias. Corro nela e o tempo corre em mim. Sou a criação mas não sei por quanto tempo durarei. Há criações que duram eu não, ás vezes nem existo. É aquela mulher que me faz existir. Graças a ela, a minha autora criou-me e não sei até quando precisará de mim. Aquela paixão mórbida é séria! Mas será que durará? Que me dará tempo suficiente a mim de ser real? Bem…Seja como for já tive essa oportunidade e não existo de certo porque tenho de estar com ela. Sem mim, perderia-se. Ela precisa que eu escreva por ela, que eu pense por ela, que eu manifeste seu amor por ela. Ela ama-a! Eu não, mas vivo esse amor como se fosse meu. E sinto nela uma tentativa enorme de que tudo isto passe, uma recuperação desejada que não chega. Tenho a certeza de que uma vez possuindo o tesouro, o seu valor diminuiria de imediato, mas é preciso possuí-lo para que a verdade seja apurada. Sou uma criação e quanto a mim, se isso me continuar a dar a opurtunidade da existência permanente, que a ame para sempre e que a outra nunca o faça. Só assim eu continuarei a escrever, só assim eu serei humana.

sábado, 18 de abril de 2009

Anjo Gabriel - A ausência

Vou começando a cansar-me de ti sabes…Não percebo onde foste Gabriel e quando te chamo nunca apareces! Se tivesses caído quando teus irmãos o fizeram, mas não Gabriel! Estás aqui porque vieste por mim, sabes que precisava que me protegesses…Estou a perder a minha integridade e não tenho inspiração nenhuma. Tu podes ajudar mas desde que te ordenei protegê-la a ela em vez de a mim, não voltaste. Será que também te domina? Não Gabriel! Longe disso, muito longe! Ela nem sequer te sente, nem sequer imagina que o anjo que me viu nascer será aquele que a verá morrer um dia. E se a começas-te a amar também? Oh Gabriel, não te deixes dominar… Luta! Mesmo em silêncio e inconscientemente ela domina-nos, sabes que o pode fazer…Portanto, abre as asas, levanta a cabeça, manifesta-te e luta! Mostra-te! Não deixes que te magoe! Não te deixo abandoná-la. Ficas porque é assim que me sinto bem, sabendo que a proteges e que está em segurança, mesmo longe. Uma ordem minha é para que a obedeças sem a questionares…Eu sei que dói, eu sei que devia dar-te a escolher mas se vieste para meu proveito então não te resta mais que obedeceres aos meus desejos e fazê-la feliz. Sei lá, fala-lhe ao ouvido, incentiva-a e faz com a vida seja justa! Adormece com ela e faz com que sonhe em vez de ter pesadelos! Se tiver frio, aquece-a! Não deixes que adoeça…Quero-a bem longe da doença e da morte! Se não cumprires esse teu trabalho ingénuo de protecção acrescida, serás por mim banido dos céus e cortar-te-ei as asas para que eu as use e a protega. Não entendo! Partis-te e não voltas-te. E eu pergunto-me com a mais calcada dúvida no meu pensar: e se ela sabe que estás aí? E se desconfia que fui eu que te mandei? Se me denuncias, voltas de imediato! E não vai ser o teu esconderijo que te vai salvar…Eu sinto-te…Não te esqueças nunca disso. Deixa que ela pense que tudo passou, deixa que ela denote em mim uma tentativa de recuperação que falhou, deixa-a viver se assim o deseja. Pelo menos, estás aí. Folgo em saber que cumpres a minha vontade, gosto de ter conhecimento de que ela segue em frente e eu prossigo ao reverso. E quando vires que está em perigo, mete-te no meio, usa as asas e voa, mostra que mereces ser como és e não me desiludas porque ela é o que tenho de mais parecido a mim neste mundo, de mais precioso. Somos duas reencarnações da mesma pessoa, diferentes e iguais. E tu, tens o dever de proteger ambas. Se te revoltas-te contra os céus em meu nome, faz-o também em nome dela. Não deixes que se magoe, não deixes que sofra, já deve tê-lo feito. Mas não a ames porque não tens autorização minha para fazê-lo. Posso amar-te Gabriel, como anjo que és e como protector que te tornas-te mas amo-a mais a ela, muito mais, como pessoa que foi e que já não é. Mas que me interessa agora ela ser como é se já soube como foi. Se a amei assim, amá-la-ei de todas as formas e sentidos e tu, não te atrevas a fazê-lo seja de que forma for. Portanto, ouve-me e acautela-te! Agora sou eu que te aconselho.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Geografia de uma Viagem de Regresso


Enquanto fazia as malas para Lloret Del Mar, decidi pôr na bagagem um mapa para o caso de me perder ou então de me perderem. Abri-o. Folhei-o. E vi como pequeno é o nosso país, como pequena é Espanha, como grande é o Mundo e nós tão pequenos nele. E apeteceu-me construir um país só meu, onde te encontrasse ao virar as esquinas, ao passar as margens, ao subir encostas, ao descer ribanceiras, ao passar nas pontes, ao contornar vales e acidentes litorais, ao quereres fugir de mim e dar contigo sempre.
Era lá que queria amar-te. Não aqui. Era naquele país só meu que queria perder-me contigo. Era ali que queria dizer-te palavras sentidas e com sentido, sem que me sentisse embriagada ou indisposta ao fazê-lo. Imaginei por momentos a encosta litoral, as praias ancestrais às quais já te habituas-te, a areia fina e escorrediça, limpa e corada. E eu e tu a ver o pôr-do-sol. Mas depois pensei que esse romantismo todo, não é comigo. Esse sentimentalismo ridículo e transcendente, é de outros e não meu. E então, surgiu-me um outro cenário. Duas pessoas perdidas numa selva algures, de nome qualquer, de origem suspeita, onde reina não um rei mas eu e ela. Como sonhei com aquele mapa na mão! E nesse país ela esperava por mim. Não envelhecia e eu o ia fazendo inconscientemente. Gostava mesmo de inventar esse país contigo, onde não tivéssemos limites nem coações a pagar. Seria o mais pequeno em pessoas, seria o maior em carícias e amor. Eu amo-a e quero um mundo assim só para mim, desenhado, construído, planeado só para nós. Desejado por mim e talvez não por ela.
Quando parti, desejei ter-te a meu lado apoiando-te em mim enquanto eu me sujeitava a tentar pôr-te confortável. Queria tanto que estivesses presente nesta minha jornada que me atrevo mesmo a dizer que sinto a tua falta, onde nunca foi suposto estares. E esta paisagem absoluta, esta tranquilidade misturada com um pingo de loucura e excentricidade, tenho eu a certeza que te completavam no seu máximo estado de exactidão, mesmo sendo tu e atrevo-me de novo a dizer, uma personagem sem história nem nada. E se pudesses estar aqui, como seria o meu ser feliz na sua máxima potenciação, já que para mínima dela, bastam-me todos os outros dias sem ti. Vem! Anda! Tenho a certeza de que nesta praia te perderias, mesmo comigo já que nessas tuas te perdes com outro qualquer. E eu sei-o! Mas mesmo assim desejo que não passe de uma mentira, quero que me deixes sonhar, mesmo que o meu sonho seja imaginação e não realidade. Porque na realidade é que vive o teu ser e o meu existe por ser imaginário e surreal. Se não fosse o sonhar contigo, a todo o instante, a toda a hora, a todo o momento, minha essência se perderia porque sou lunática e preciso urgentemente de dormir. Dormindo nada mais me ocorre e mesmo de olhos abertos, sonho compulsivamente como seria nesse mundo, nesse lugar que eu quero criar só para nós. Se eu não sonhasse que era de ti? Quem te exaltava e te fazia crer? Ai se eu não sonhasse, que serias tu se eu não sonhasse…Ninguém, apenas alguém com sonhos que neles não crê.
E voltei, regressei ao ponto de partida como todos, na esperança que o meu sonho tivesse algo de veracidade e que essa veracidade me desse a oportunidade de ser real. Estava cansada. Finalmente, dormi. Fui sonhar. Ao acordar era a lunática de novo, com ânsia de voltar a adormecer.

terça-feira, 31 de março de 2009

Ver para Crer

Quando passas por mim mesmo sem quereres, ofereces-te. Meneias-te pensando que assim me tentas mas enganas-te! Ás vezes sinto desejo, outras indiferença, mesmo pensando tu que te quero. Mas as pessoas enganam-se. Sabes o quanto estás enganada? Porque tu vês aquilo que eu te mostro e o que te mostro é o que eu quero que vejas. Posso até gostar de ti mas embora não saibas manipulo-te, estudo-te. És o meu projecto e quando menos esperares tenho a minha tese reconhecida e nela o teu nome. É estranho e curioso, como as pessoas se podem tornar teses e projectos, sendo como são. Sendo como és tu, admira-me não seres uma experiência cientifica e ficares-te pelas teses teóricas. É…ás vezes esperamos muito mais das pessoas, mais ainda do que aquilo que são capazes de fazer. E admiramo-nos por nos ter-mos enganado. E sendo eu quem te tornará eterna, como tese ou então com pessoa, surpreende-me o facto de tu não teres ainda percebido que aquilo que tu és acaba por ser aquilo que eu te digo que sejas. Acabas por ser influenciada pelo que te digo, pelo que te dizem, pelo que deves ser e não és. O que critico é aquilo que eu quero que corrijas e acabas por fazê-lo, sem te aperceberes. Eu domino-te e desde que me apercebi de que até te dava gozo ter alguém atrás de ti, deixei de o fazer. Se há ego que deva ser alimentado será o de outra pessoa, nunca o teu. Já te alimentas-te demasiado, chega!

quinta-feira, 26 de março de 2009

"Não" ao perdão

Se há algo que tenho aprendido é que a vida que quero, não me quer a mim. Nem tão pouco espera por mim e magoa-me, cansa-me e deixa-me soluços do passado, sempre presentes neste meu futuro que não sei se existe sequer. E depois pergunto-me se vale a pena lutar por aquilo que queremos, quando muitas vezes não estamos destinados a fazê-lo ou aquilo que queremos está fora do nosso alcançe. Não costumo desistir porque quem desiste é fraco e cobarde…Ok, vamos todos ser fracos e cobardes porque secalhar e possivelmente, seremos mais felizes assim, a tentar rejeitar as pessoas que nos querem bem, a ignorar-mos aquilo que preferimos não entender ou fazer que não ouvimos, a perdermo-nos em vez de nos encontrar-mos. Infelizmente, conheço muita gente que se perde e nunca mais se encontra, porque pensam que tudo tem remédio e que há perdão e desculpas para tudo, mas na realidade não funciona assim. Não há remédio para quem perde alguém que ama, não há perdão para quem trai e tão pouco há desculpas para trair. Não me venham com histórias de que somos humanos e que todos temos direitos e que um deles é o direito a ser-mos perdoados. Isto, querem crê-lo os religiosos, eu não. Há tanta coisa que não tem remédio, nem perdão, nem desculpa…Há tantas pessoas que perdoam e não deviam fazê-lo…Mas também há aquelas que se arrependem rapidamente pelo perdão dado. Ás vezes mais vale sofrermos em silêncio de que perdoar quem não devemos. Se todos aprendessem que o mundo deve fazer-se de cumplicidades e atenções em vez de de perdões inuteis e falsas esperanças, certamente viveriamos melhor, até porque o risco de sermos traidos por aqueles que amamos diminui.

quarta-feira, 18 de março de 2009

InsatisFação Primária

E se a dor não passa?
E se não consigo esquecer-te nunca?
Que faço se não conseguir deixar-te?
Como achas que passo sem ti? Bem? Mal?
Achas que sou feliz? Achas que não sinto a tua falta?
Pensas que te minto? Achas que posso fazê-lo?
Que pensas tu? Que opiniões me dás? Tens alguma opinião sequer?
No que pensas? Quem é esse alguém que te afasta de mim? Devo saber quem é?
Onde te encontras? Onde estás tu? A que distância estamos uma da outra?
Conheces-me? Será que alguma vez te conheci?
Será que te amo? Será que sei se existes? Existes porventura?
Lembras-te? De quando era eu? De quando eras tu?
Consegues lembrar-te?
Sentes como te venero? Como te adoro? Como desejo ter-te?
Será que fazes uma ideia daquilo que significas para mim? Será?
E se nunca conseguir abdicar de ti? Que papel tenho eu então?
E se me ignoras? Que posso eu fazer para que me deias atenção? Dizes-me?
E se fugissemos? Só nós? Achas que tinha alguma hipotese?
Há alguém que te suporta e te ajuda? Estarei eu onde devo estar?
Como é que é suposto respirar sem ti? És capaz de me explicar?
Podemos fingir que tudo é mentira? E sermos nós como dantes?
Posso evitar-te sem que me magoe? Ou ignorar-te sem que pareça mal educada?
Onde é que posso encontrar alguém como tu? Como é que posso amar-te se nem te conheço?
Ajudas-me? Tens a cura para mim?
É suposto não ter respostas? Ou sou mesmo eu que estou confusa? E tu?
Nunca puseste em causa toda a tua rotina? A tua vida sem vida alguma?
Já alguma vez paras-te para pensar no que te disse? Naquilo que significa?
E se me perder para conseguir aquilo que quero?
Já alguma vez te metes-te em algo de que querias sair? Arrependeste-te alguma vez?
Já afastas-te aqueles que deviam estar perto? Deixas-te-os ir sem lutar?
Alguma vez soubeste? Soubeste daquilo que é melhor ou pior? Sabes sequer de que lado estás?
Estás sozinha?
Alguma vez duvidas-te das tuas decisões? Que os teus sonhos podem tornar-se reais?
E a vida? Já reparas-te que é injusta e mesmo assim sujeitamo-nos a ela?
Sabes quem és? Culpas o mundo em vez te culpares a ti pelos teus erros?
Conheces-te sequer? Questionas se és como pareces? Ou se pareces alguém quem não és?
Olhas-te ao espelho? Procuras-te pelo menos com olhos de quem quer encontrar?
Reconheces-te sendo assim? Tens a certeza de tudo que dizes querer?
Tens o tempo do teu lado? Tens a certeza?
E essa angústia? Esse mistério? Deriva de quê?
Porque é que não me ouves e renasces? Sabes como fazê-lo? E a alma? Prevalece? Ou não tens alma?
Consegues sequer convencer-te a ti própria daquilo que és? Ou a empatia para contigo mesma é tão pouca que nem consegues sentir? É verdade que sentes? Ou eu enganeime? Será que haverá algo que possas sentir? Um toque? O fogo? A noite?
E o coração? Bate? Ou é tão tórrido que se desfaz?
E a verdade dói? Ou dói antes a mentira?
Amas?Odeias?
Sabes que existem pessoas que te possam amar? Compreendes sequer esse sentimento:amar?
Será que me fartei? De lutar? De amar? Ou adormeci?
Estou a perder-te de vez aos poucos quando nunca te cheguei a ter?
Como é posso amar-te? A ti? Como?
Como é que me fazes sentir desta forma? Uma inútil e humana ao mesmo tempo? Será que sou humana?
E se houvesse um incêndio? Quem seria a chama? Eu ou tu?
E se eu chorar? Quem é que me seca as lágrimas?
Mas o que é que eu estou aqui a fazer? Porque é que não percebo?
Vez a forma em como te olho? O olhar que me mata?
E sabes porque te amo e te quero? Não tens interesse em saber?
Sabes aquilo que estou disposta a sacrificar por ti? Aquilo que posso fazer para te ter?
Achas que há algum caminho para nós? Podes ser sincera?
Porque é que não disses-te “não” logo no inicio? Porque éque me fizeste perder tempo?
Salvas-me? Salvas?
Porque não me enfrentas e falamos sobre o assunto de forma civilizada?
Respondes-me? Porque não?
O Sol não brilha para todos?

terça-feira, 10 de março de 2009

"Está tudo bem e o Resto é paSsado!"


Quero roubar-te essa dor, como se fosse parte de ti e deixasse de sê-lo! Temo por ti, preocupo-me com as causas e as consequências. Dizem-me “Deixa lá” mas todas essas expresões idiotas e sem razão de ser, me soam a eco e quando chegam a mim, já não significam nada ou muito pouco significam. Sabes que quando estou contigo, tenho a possibilidade de curar-te, embora quem precise de cura alguma, seja eu e não tu. Procuro-te e estás sempre pronta a seres encontrada. É incrivel, chega a ser entusiasmante estar contigo e reconhecer que estava doente e que afinal temo por ti e não por outra qualquer. Como se confundem os sentimentos é algo que não percebo, nem quero perceber. “Está tudo bem e o resto é passado!” E o passado torna-se estranhamente comtemporâneo, como se fosse e que ainda é. Mas tu desterras-o e mandas-o embora, como se o pusesses ás costas e o obrigasses a partir. Mas é deste meu passado que se constroi a minha história e não abdico em nada dela. Nem abdico das pessoas, nem das situações, nem das memórias. Só há um pequeno senão, que vais ter de compreender: se existiu por alguma coisa o fez. Percebe que há coisas que não se explicam, que há horas que não se contam, como aquelas que passo contigo e que não assim há tanto tempo, quereria passar com ela. Entende que mesmo assim, há algo nela que desejo. E começo a perceber que o facto de ser eternamente parecida com ela, me fazia crer que era mais do que isso. Dir-te-ia que te amo, mas não mais confundirei tal sentir. Apercebi-me de que me amo a mim mesma, que se danem os outros! Não dão mais que desilusões e desamores! Quero lá saber deles, mas quero saber de ti. Não por te amar, mas porque me és algo, porque te quero bem, porque também te desejo agora. És única tal como era ela, mas és diferente. És acessivel e posso dominar-te. E tu deixas que te dominem, como se boneca fosses e eu a menina prendada que te possui. É irónico como se desprende o futuro e o passado das minha mãos. Á uns tempos atrás, diria que tinha passado e que deixei de pensar no futuro. Mas agora quero vingar, quero esquecer que há passado por momentos e lembrar-me de que tenho futuro. E tu fazes parte dele. Sem mais encruzilhadas e discussões sobre quem somos e quem queremos, vamos partilhá-las. E aí veremos quanta importância podemos dar ás pessoas que nos são parte da vida. Agora sim, está tudo bem.

quarta-feira, 4 de março de 2009

ConfissÕes de uma LunátiCa ConscienTe

E repasso todos os momentos que passei, todos os textos reflectivos que elaborei sem pensar sequer. Acontece que todos eles existem, todos eles são verdadeiros. Eu não. Eu não existo. Já não sei quem sou, porque me cansei de ser eu mesma ou porque não suporto mais sê-lo. A minha teoria deixou de ter temática, já esgotei tanto todos os assuntos que não me resta mais que conspirar. E é esse esgotamento que me faz também esgotar-me. Começo a deixar de escrever, porque tudo que tinha já não tenho, porque tudo que queria nunca tive, porque quem amava já não amo, porque quem eu conheço já não me conhece a mim. Perdi a minha identidade e com ela, tudo que tinha. Detesto que me chamem, pelo simples facto de me poder ouvir a mim mesma responder. Até porque se não o faço, sou mal formada e sem educação. Com a minha perda, veio a incapacidade de querer ter aquilo que me era impossivel conseguir. A incapacidade de a ter, veio com o tempo curar-me. De tanto aprender que nunca são quem pensamos, de tanto sofrer, de tanto pensar, acabei por admitir que desisti, que também eu, posso por cobro a situações destas. Contudo, não fui a tempo. Arrebatou-me todas as energias que tinha, deixou-me exangue de vida. Com a perda e a consequente desistência, deixei de querer viver. Toda a vontade que possuia, toda a ambição que pensava ter, não tenho. A vontade foi-se e a ambição perdeu-se. Não me venham com histórias de sonhar e de que os sonhos se tornam realidade, porque sonhar não me valeu de nada. Se há sonhos reais, os meus não são desses. E muitos deles, magoam-me ainda não o sendo. Estava tão segura de mim, que não sei onde me segurar agora. Quando assumi que desisti, literalmente, apaguei-me. Tornei-me alguém que todos conheciam mas que já ninguém conhece. Não me percebem agora. Não sabem de que matéria me fiz, nem de que essências me alimento. Mas a verdade, é que mudei. O meu aneurisma deixa-me sem forças. Estou proibida de muitas coisas, mas que não me proibam de viver a vida á minha maneira. Eu não preciso que me voltem a conhecer, interessa-me conhecê-los a eles, a todos, e precaver-me para o caso de em vez de amigos serem traidores. Desisti da única cisma que me alimentava, da única razão que tinha para não me deixar levar. E custame saber que não vou ser quem todos esperam que seja. Mais uns meses e desapareço! Asseguro-me que ninguém me procure e assim, tenho a certeza de que não me julgam nem me incomodam. Há dias em que reflicto arduamente, naquelas decisões bárbaras que tomei, nas revelações que fiz, na forma em como olhei, nas coisas que disse e que pensei dizer. Mas há muitas coisas que já esqueci. Tenho dificuldade em concentrar-me, tenho distúrbios de atenção e transtornos. A única tarefa que cumpro na perfeição é a de lunática aborrecida com o mundo. Dei hipoteses, ofereci oportunidades, mas ninguém quis aprovitá-las. Sou uma lunática consciente daquilo que se permite. Daí, querer mais. Sou lunática pessoal, para quê a preocupação?
A minha sorte é que embora não o saiba, tenho a sua consciência. Não me dá para bater com a cabeça ou enterrá-la na areia, saltar duma ponte, dar um tiro no meio da testa. Dá-me para as artes, tretas maricas, as quais nunca cheguei a compreender porque fazem parte de mim. Há tanta gente que precisa de talento, algo por onde se lhe pegue, na pintura, na música, na escrita e veio-me logo calhar a mim a sorte. E digam lá, se a vida não é irónica?! O melhor é prevenir-me: quando a esmola é grande, o pobre tende a desconfiar! A sorte não pára duas vezes no mesmo sitio e não é efémera. Mas que raio estou eu para aqui a dizer… a falar de sorte? Mas que sorte tenho eu? Sorte têm os marinheiros quando naufragam morrerem afogados, evitam o sofrimento de andarem perdidos. E pensar que há tanta gente infeliz porque não lhe soa a música ou porque não têm a aptidão necessária para aquilo que queriam, e eu, que tenho tantas aptidões, simplesmente ignoro-as. Ás vezes, a ignorância tem destas coisas e dá bastante jeito para alguns…Mas mesmo pensando que são inúteis, sabem que são diferentes, especiais, que ninguém mais existe sendo eles. Embora não o saibam, sentem-no, nem que seja porque terceiros interveem. E eu, por estranho que pareça tenho jeito para reviver os outros e não faço mais que matar-me a mim mesma. Que dilemas estranhos estes!
E depois há aqueles livros deprimentes que leio e releio so para me encontrar. Uns deprimentes e maníacos, outros maníacos e deprimentes. E quando menos espero, há uma passagem que me chama a atenção, mas acaba por ser demasiado nefasta e insuficiente. Já não tenho pensamentos. Já não me entusiasmo nem me admiro, porque me desiludi. Sei que não lido bem com desilusões, sei e tenho consciência que não gosto de admitir que perdi. Sou complicada, complexa, chamem-lhe o que quiserem…E sim, a Cátia morreu. Sou eu que falo, a lunática, esta que pervalece. Deu-me um nome e criou-me uma história, um passado. Deve pensar que é mais do que eu, por ser de carne e osso. E eu, ao menos tenho coração! Ela já o perdeu ou roubaram-lho, embora ela pense que o tivesse mesmo perdido.
E agora tenho esta personagem que fala por mim, que me torna ainda mais elementar. A verdade, é que embora me odeie, é ela que me faz suportar tudo. É ela que me ouve e me faz perceber, é a ela que me confesso e é ela que basicamente, controla a vida que levo agora. Sou tão jovem e parece que já vou no fim da vida. Tenho a forte impressão de que vivo a vida de outra pessoa, que não sou mais que uma cópia fraca e barata. Já não sinto absolutamente nada. Se não sinto sou fria e maléfica, se sinto sou parva e ridicula. Prefiro não sentir e ter a conciência de que assim sou. Talvez porque sentir me causa mais danos que beneficios. Não sei se existe uma ciência qualquer que estude estes fenómenos, mas a dor que senti e aprendi a neutralizar, não a sinto também fisicamente. Parece que todas as feridas sararam, embora me sinta mal, muito mal. Talvez tenha aprendido a controlar os sentimentos, algo que todos deviamos fazer, para o nosso bem e para o bem dos outros. Dizem que é impossivel, mas parece que consegui. O único senão é que passamos rapidamente a sentir o oposto. Se amamos, passamos a odiar. É nisso que se baseia a passagem da dor em algo que não dói. Se pensarmos e nos convercer-mos que odia-mos quem amamos, passamos a ter uma razão para que realmente o ódio se convença que é verdadeiro. Com o tempo, acaba por sê-lo e resta-nos odiar, simplesmente odiar. Pode ser mau para muitos, mas para alguns como eu, funciona. Acreditem quando digo que o ódio acaba por tornar-se real. O problema aqui e este é verdadeiro, é a relação de importância que damos ao amor e ao ódio. Será que é mais importante nas nossas consciências racionais, o amor ou o ódio? Quanto mais penso, me contradigo. Acabo por simplesmente, voltar ao inicio da minha teoria. Nada do que digo bate certo, até porque na prática não resulta, não na perfeição. Será que a odeio ou passei a ignorá-la, pagando-me assim? Será que todas as minhas energias que me tem roubado, me são restituidas agora? Será que aprendi a lidar com um amor discreto e idiota? Sim, aprendi que o tango se dança a dois, quem diz o tango diz outras coisas. E há quem não queira dançar mas também não ponha completamente de lado essa hipotese. Sim, ignorar é sempre óptimo, principalmente quando o objecto de desejo é alguém incontestado e imcompreendido, incapaz também de compreender. As minhas energias equilibram-se de novo, talvez porque me afasto daquilo que quero e portanto evito situações desagradáveis. E o amor, é e sempre será. Aperfeiçoei-me e consegui neutralizá-lo. Não me afecta. Têm que tentar! Mas calma, ainda cá está. Apenas se troca por outros sentimentos, por outras lembranças, por outras pessoas até por algo que queiramos muito e que por momentos, satisfaça os nossos caprichos. Foi assim que me superei a mim mesma e é assim que vou sobrevivendo, mas não deixei de desistir. Basicamente, isto tudo de amor e ódio, é a aceitação do que não pode consagrar-se. Já me cansei de tentar fazer, tentar dizer e depois não conseguir. Ou então, acabam por não perceber. Não há forma no meu falar nem no meu escrever, que não seja esta. Gosto de charadas e de decifrar pessoas e ser decifrada. Mas não quero que o façam. Sou eu! Só eu…Não quero mais chatices, nem lágrimas, nem tangos, nem sonhos, nem amores, nem ódios, nem talentos, nem aptidão, nem sofrimento, nem histórias, não quero dormir! Quero preparar-me para mim, quero sumir-me no mundo, quero que ninguém se lembre que existo, porque sucintamente, já não o faço. Existir é ser alguém activo, ter opiniões, ter ideias, ter amor, ter sofrimento. E eu já nem amo nem sofro, já nem vivo mas também não morro. Se cheguei a existir alguma vez, não foi por mim, foi por ela. Porque sabe que há coisas que a boca diz e que o coração não sente.

Overdose Passageira

Esbati-me com ela hoje! Segundos antes, falara dela e meu dito meu feito. Há quem diga que tenho em mim, dois tipos de essências: a coincidência mórbida e o elixir da vida. Traduzindo, o tempo e a vida. O tempo passa por mim e acena-me, como se fosse meu companheiro desde sempre. A outra parte, não entendo a forma de como se encaixa em mim. Não tenho vida e previligio de longe a morte, abri-lhe o caminho e continuo á espera que me leve. Porém, ás vezes não me apetece morrer. Quando passei de longe, pressenti que algo não está bem. Sinto-te infeliz, não sei. Talvez esteja enganada. É nestes momentos de duvida, que quero prevalecer, para saber se estou certa ou errada. É por te encontrar triste que decido viver mais um dia. A minha coincidência constata-se todos os dias, até eu me sinto consequente das acções alheias. E o elixir da vida, quem me dera poder oferecer-to. De certo, sentir-te-ias diferente. Não olhei sequer. Segui em frente. Todos opinam o mesmo, há sempre motivos, há sempre razões, histórias, factos…E atrevo-me a dizer que há em ti essas histórias, esses factos que todos vêem como reais. E os há também em mim e em toda a gente. Há quem me elogie por ter uma vida passageira, por não me guiar pelos outros e por não me agarrar demasiado aos momentos, que também eles são passageiros. Enfim, tudo que se prende com a vida é passageiro. Há quem afirme com toda a certeza, que sou feliz. Mas a minha felicidade também não é completa. Também eu fracasso e sinto-me mal por não conseguir aquilo que quero. Porém, recuso-me a ser fraca. Recuso-me a baixar os braços e levanto a cabeça todos os dias. Não me interessa que me julguem ou que falem ou que comentem, quero lá eu saber daquilo que pensam! Tive duas vidas antes desta, que aprenderam igualmente, a não se importarem com o que os outros pensam. Ambas foram mortas! Que seja eu também! Pois como elas vieram, também eu virei. E vai ser noutra vida que vais ser minha. Não vou morrer sem ter uma overdose de ti, é a única maneira de me matares e de te livrares de mim. Já que a morte se recusa a levar-me, vem tu e dá-lhe uma pequena ajuda.

( "Comatose, II'l never wake up without an overdose of you." - Skillet)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Sai...


Vou sempre amar-te. És permanente, ficas mesmo depois da desilusão e da dor. Permaneces intacta nem que em sonhos seja e em pensamento, vais-te desmoronando mas regeneras-te, como se tivesses o dom de renascer das cinzas. Pelo menos, se eterna não fores, ficas nas minhas palavras, nas minha recordações e um dia lembrarme-ei de ti, com certeza. Estou a tentar cortar os fios que me fazem querer-te. És um fantoche e dissimulas na perfeição. As linhas com que te moves, vão mudando. Supreendes-me ás vezes, mas começo já a habituar-me a essa questão bipolar que te percorre. Faças o que fizeres, não podes mudar nada. A vida é assim, insegura mas é melhor que doa a verdade do que sentir a mentira. E não imaginas como me dói a mim! E eu sei, que ela sabe, a tua confissora pessoal. Tu contaste-lhe! Posso ter certeza do que digo, na forma como passou a olhar-me. Sou muito boa com os olhares dos outros! Mas mesmo assim, não te condeno. Aliás, nunca o fiz embora devesse fazê-lo sem pensar duas vezes. Era melhor odiar-te…diz-me que queres que o faça e o farei. Também eu me modifico e me moldo. Também eu me habituo a estas fases menos boas e sou bastante instável. É curioso como me contenho e não faço nenhuma loucura. Sou demasiado instintiva é quase impossivel existir assim…Mas controlo-me! Com medicação ou não, sofro de uma enfermidade mental, que até tem por nome transtorno. Ora, se diz que sou transtornada é melhor internar-me. Juntamente com o transtorno vem a parte da compulsividade e da obsessão acrescida. Talvez seja este meu transtorno que possuo desde que existo, que te faz ser tão permanente, como se ficasses quando eu não quero que o faças.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

É meU...


Estás longe de me pertencer. A cada dia estás mais longe e mais intacta. Deixo que partas, desisto de todas as minhas ideologias que por serem idiotas são verdadeiras. Dizem que os verdadeiros homens são loucos e as loucas mulheres são verdadeiras. Eu sou louca, tão louca que me transpareci como se cristal fosse. Tenho que te deixar partir. Talvez por ser verdadeira e louca, não o fiz ainda. Ou talvez, porque quero parecer lúcida nesta minha loucura sem fim. Partes mas fica em mim teu coração. Por muito que resistas, fica ele em mim, para que não mais ninguém o possua. Não o permitirei e mais tarde ou mais cedo, arranca-lo-ás do peito e entregar-mo-ás tão severo e gélido como sempre foi. Sabes que só eu poderei derretê-lo, sabes que todo o sangue que escorre é meu e da dor da perda de algo que nunca tive. Queda então o teu coração! Parte teu corpo moribundo sem ele… que parta se assim o deseja. Haverá alguém que dará conta que o coração te falta e te recusará por pertenceres a outrém. Sem coração não terás mais vida. Roubarta-ei se for necessário! Não mais ninguém te amará se assim não o pude eu fazer. Nem mais ninguém tu amarás sem coração nem nada. E mais tarde, quando sentires falta do bater, virás a mim e perceberás que teu único erro, foi permitir que te amasse e que assim, te roubasse a alma.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Beneficios do Sexo


Desde o inicio dos tempos, que o sexo tem sido a forma de assegurar a vivência das gerações seguintes. O ser humano tem como principal função reproduzir-se e multiplicar-se, tornando-se o ser máximo do planeta. Através do acto sexual tem-no feito. Porém, o sexo deixou de se resumir a um acto de reprodução, mas passou a ser considerado um acto prazenteiro. Assim, o sexo tem conseguido a atenção dos homens e mulheres, tornando-se verdadeiramente natural e ordinário. Isto significa que todas as desculpas são boas desde que levem ao prazer do sexo. Senão vejamos as desculpas seguintes para se ter sexo, seja ele com compromisso ou puramente ocasional.
O sexo faz bem á pele. Há quem diga que se pode determinar se alguem é activo sexualmente pelo aspecto da sua pele. Durante o sexo, a mulher produz grandes quantidades de estrogénio o que faz com que o cabelo fique brilhante e a pele aparente limpa e sem manchas. O sexo é melhor que ir ao ginásio três vezes por semana. Para além de queimar calorias, ter sexo regularmente é uma verdadeira segurança para quem tem medo de engordar. O sexo é realmente fortificante, fazendo mover todos os músculos do corpo. É melhor que nadar 20 piscinas! O sexo cura pessoas depressivas. Nada de anti-depressivos ou outros quimicos que fazem mal á saude! O melhor é fazer sexo. O sexo é contagiante. Se o fizeres regularmente o nivel de feromonas que produzes será maior o que atrairá o sexo oposto. O sexo tranquiliza. É ideal para pessoas nervosas e muito melhor que o valium ou outro calmante qualquer! Beijar regularmente permite que frequentes o dentista muito poucas vezes, permite-te até descartá-lo por completo. Os beijos diminuem a quantidade de ácido na boca que provoca o enfraquecimento do esmalte. Para quem tem dores de cabeça frequentes, o melhor é começar a ser um praticante assíduo. O sexo alivia a tensão das veias do cérebro. A prática sexual ajuda a combater gripes e alergias. É um anti-histamínico natural. Estão a ver? Nada melhor do que ter prazer e fazer tudo isto ao mesmo tempo. Se estamos doentes, o sexo cura-nos. Se estamos gordos, o sexo faz-nos recuperar a forma. Se estamos mal, o sexo faz-nos alegrar. Se detesta-mos ir ao dentista, o sexo pode ajudar. Se estamos nervosos, o sexo acalma com certeza. E prontos…Todos nas práticas que isso é que interessa! Deixem as aulas teóricas para os avós…

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Anjo Gabriel II

É nestes dias assim cálidos da neve, em que até o céu lhe partilha a cor, que sinto a tua falta. Falta de alguém que nunca tive…É-me estranho sair á rua e olhar ao redor e não ver ninguém. Sento-me e cai-me neve nos ombros, olho para cima e pergunto-me porque me mata a saudade. Meu anjo, sei que estás aí, volta e responde-me! Traz-me a paz que não tenho e que não nasci para ter…Sabes Gabriel, és sempre tu que me aconselhas mas ultimamente tens-me fugido e não entendo o porquê de tu também me teres abandonado!? Mas porquê? E nem tu me respondes…Sentes rancor comigo, sentes mágoa mas sabes que me persegue o amor. Sabes que amo mas porque não estás comigo e me aconselhas? Va lá Gabriel, és o único anjo que me auxilia, perdoas-me sempre tudo aquilo que faço de mal, tens a pura consciencia de que ainda sou jovem e dás-me sempre alternativas, para que não seja obrigada a desistir ou a fazer uma má escolha. Mas agora tu também, deixas-te de me ajudar…Eu menti eu sei e então? Ninguém, nem tu Gabriel, tens o direito de me julgar por ter medo de sofrer ou por decidir não fazê-lo mais! Eu julgar-me-ei a mim mesma, serei culpada se assim me sentir. Não me culpes por ter cometido mais um erro, que embora tenha sido uma atitude errada e instintiva, era aquela que acabava com o meu sofrimento. Não queria desistir, mas eu desisto de mim mesma e com essa desistência desisto também dela. Tu conheces-me, já sabias que o ia fazer, mais cedo ou mais tarde….Mas escuta Gabriel, limita-te apenas a ser o meu anjo. Protege-me se assim to permitirem, ajuda-me se assim o quiseres, mas não me julgues porque posso rejeitar-te e fazer de ti um anjo caído. Não lhe digas nada. Nem sequer me denuncies porque eu também sei que cais-te e não te denunciei. Imaginas como me sinto Gabriel? Estou fria! Mexe-te! Volta para mim Gabriel, vem como a neve e embala-me…Deixa-te ser um floco e cai sobre mim! Mas não me desampares desta forma! Anda! Ai Gabriel, se eu fosse como tu, estaria contigo hoje e todo o sempre.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Não sou nada


Perguntaste-me se o rio

Corre como eu, mas sabes

Que sou eu que não corro,

Como o rio.



Sou instável e corrompo-me!

O rio é móbil e intacto,

Como se as gotas perdidas,

Se lhe fossem sempre restituidas.



Mas sabes que o rio

Passa, e eu também.

Passa arrastando-se

Deixando nas margens,

Marcas desse seu arrasto.



E eu? Passo como ele

E deixo-o passar por mim,

mirando-o da margem sentada.



Porque o rio não sou eu e eu,

Não sou nada.